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Milho foi domesticado em apenas uma decada, 4 mil anos atras: nativos da America usaram cruzamentos para produzir modificacao genetica

OESP, Geral, p.A13
14 de Nov de 2003

Estudo analisa como o milho foi domesticado
HERTON ESCOBAR
Das gramíneas do México pré-histórico à pipoca de microondas passaram-se 9 mil anos. A domesticação do milho, entretanto, ocorreu com uma rapidez espantosa, segundo um estudo publicado hoje na revista Science. A partir do teosinto, uma plantinha aparentemente insignificante das terras altas mexicanas, o homem desenvolveu um dos alimentos mais importantes da história da civilização. E a maior parte da transformação pode ter levado apenas dez anos.
Cientistas da Alemanha e dos Estados Unidos compararam amostras do DNA de milho fossilizado com o DNA de variedades modernas de milho e teosinto.
Descobriram que certos genes-chave da planta moderna já existiam em variedades primitivas há pelo menos 4.400 anos no México. Apesar disso, os mesmos genes não são predominantes no teosinto moderno, o que indica que foram selecionados logo de início pelos primeiros agricultores.
Rapidamente, portanto, o homem selecionou e cruzou umas poucas variedades de teosinto mais favoráveis - com espigas maiores e grãos mais macios, por exemplo -, dando origem ao milho, que continua sendo melhorado até hoje.
Segundo Nina Fedoroff, da Universidade do Estado da Pensilvânia, esse "gargalo de domesticação" pode ter durado apenas dez gerações, a partir de uma população de 20 plantas. "A partir daí, foi só retoque", diz o especialista Fábio de Oliveira Freitas, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

OESP, 14/11/2003, p. A13

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