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Micos-leões ganham morada no sul da Bahia

Valor Econômico, 30/01/2014, Especial, p. F4
30 de Jan de 2014

Micos-leões ganham morada no sul da Bahia

Por Liana Melo
Do Rio

Os micos-leões-da-cara-dourada estão de casa nova. Depois de viverem por dez anos espalhados pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca e pela Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, em Niterói, no Rio de Janeiro, eles estão sendo removidos para o sul da Bahia. A nova residência é uma área preservada da Mata Atlântica em plena costa do descobrimento do Brasil, nas proximidades de Porto Seguro. Trata-se de uma Área de Alto Valor de Conservação (AAVC), da Veracel Celulose. A mudança é compulsória e tem data para terminar: agosto. Os micos-leões-da-cara-dourada são considerados espécie exótica invasora no Rio.
As primeiras remoções já começaram e alguns grupos familiares se adaptaram tão bem ao novo habitat que estão se reproduzindo. Três filhotes baianos de pais cariocas nasceram na casa nova, no último mês. Ainda que o sul da Bahia seja uma área de distribuição original dessa espécie, os bichos tinham sumido da região. O projeto de translocação, nome científico dado à remoção de indivíduos de uma espécie entre áreas distintas, permitirá o repovoamento do local, hoje habitado por macacos-prego e saguis-de-cara-branca.
"Além de se reproduzirem, os novos moradores não tiveram problemas para achar comida e nem dificuldades para encontrar lugar para dormir", comemora a bióloga Cecília Kierrulff, do Instituto Pri-Matas para a Conservação da Biodiversidade, entidade executora do projeto.
A mudança não é sem escala. Antes de ocuparem o novo lar, os animais são obrigados a passar por uma quarentena, de 30 dias, no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ), um dos parceiros do projeto. O Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens (Lapcom), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootécnica da Universidade de São Paulo (USP) também estão envolvidos na remoção.
Em Guapimirim, onde fica o CPRJ, os animais são submetidos a uma bateria de exames. São coletadas amostras de sangue, fezes e outros materiais biológicos para constatar se estão saudáveis, já que eles interagiam com os moradores vizinhos ao Parque Estadual da Serra da Tiririca e da Reserva Ecológica Darcy Ribeiro. Só depois de feitas as análises do material coletado é que os macacos são transferidos de avião para a Bahia. A meta é repatriar 30 famílias ou um total de 160 indivíduos.

Valor Econômico, 30/01/2014, Especial, p. F4

http://www.valor.com.br/agro/3412800/micos-leoes-ganham-morada-no-sul-d…

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