O Globo, Rio, p. 12
19 de Jan de 2010
Metano de Gramacho vai abastecer a Reduc
Volume do gás, que é gerado pelo lixo e será usado nos fornos, equivale ao consumo residencial de todo o estado
Tulio Brandão
O metano retido no solo do Aterro Controlado de Gramacho, um dos maiores passivos ambientais da Região Metropolitana, vai ser transformado em energia. A Gás Verde S.A., formada por um consórcio de empresas de gestão ambiental, levará por ano cerca de 75 milhões de metros cúbicos do gás até a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) para alimentar os fornos da indústria.
A Petrobras, que ontem assinou o contrato de compra do metano por 15 anos (prorrogáveis por mais cinco), vai comercializar o gás natural não mais utilizado pela Reduc. O volume economizado é equivalente a todo o consumo residencial anual de gás no estado. O acordo foi assinado ontem em cerimônia no Palácio da Cidade.
Aproveitamento de gás vai gerar crédito de carbono Retirado da atmosfera, o metano - 21 vezes mais nocivo que o dióxido de carbono para o aquecimento global - deve gerar ainda, durante o contrato, cerca de R$ 253,9 milhões em créditos de carbono. O valor pago pela Petrobras pelo gás não foi informado. Parte dos recursos será aplicada em projetos de auxílio aos catadores de lixo e de recuperação de manguezais.
O restante será dividido entre a concessionária, a Comlurb e as prefeituras do Rio e de Duque de Caxias.
O prefeito Eduardo Paes comemorou a solução do passivo de Gramacho: - Por anos, o aterro foi tratado como o grande problema da Região Metropolitana. Hoje, temos a situação resolvida quando se esgotar a capacidade do aterro. O que era problema se tornou solução.
A Gás Verde vai investir R$ 60 milhões na criação da infraestrutura necessária ao aproveitamento do gás na Reduc. A empresa construirá um duto de cerca de um quilômetro, distância que separa o aterro da indústria.
Segundo a empresa, depois da desativação do aterro, o metano ainda pode ser aproveitado por 15 anos. Atualmente, o gás gerado por Gramacho é queimado na Usina de Biogás do aterro, para reduzir as emissões de carbono na atmosfera.
Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o aproveitamento do metano pela Reduc é a primeira medida concreta da Lei do Clima, sancionada no fim do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não regulamentada: - A experiência de transformar o metano em energia renovável é fantástica. Tirar o gás de Gramacho servirá inclusive para reduzir a instabilidade daquele solo. É uma boa solução de todos os pontos de vista, além de ser uma espécie de "cumpra-se" das leis nacional e municipal do clima - afirmou Minc.
Durante o discurso, o governador Sérgio Cabral, tirou uma folha de papel do bolso, passada pelo secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho Teixeira, para elogiar a participação da Petrobras: - Ele decidiram comprar o biogás um pouco mais caro que na origem. Esse é o papel de uma empresa pública.
O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, considerou o acordo altamente positivo: - Vamos aproveitar o gás do lixo. Trata-se de um gás pobre, mas que pode ser utilizado em nossas instalações como combustível, depois de um tratamento prévio da Gás Verde. O acordo propicia ganhos fabulosos para o meio ambiente.
O aproveitamento do metano diminuiu a área útil dos catadores.
A Gás Verde aposta na criação de um fundo social de auxílio a esses trabalhadores: - A ideia é fazer com que eles ganhem uma profissão, que pode ser de soldador, pedreiro ou eletricista, e tenham mais chance de reconstruir suas vidas no mercado formal - disse Paulo Tupinambá, sócio da nova empresa.
O Globo, 19/01/2010, Rio, p. 12
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