OESP, Geral, p.A14
07 de Abr de 2004
Metade da perda na Amazônia está em 25 municípios Dados preliminares revelam que 77 cidades de áreas críticas devastaram 2,152 milhões de hectares
SANDRA SATO
BRASÍLIA - Abertura de áreas para criação de gado e plantio de soja levaram São Félix do Xingu (PA) a perder 133.200 hectares de floresta e se tornar o campeão em desmatamento na Amazônia, de agosto de 2002 a agosto de 2003. No período, apenas 25 municípios de Pará, Mato Grosso e Rondônia derrubaram 1,054 milhão de hectares de matas, o equivalente a quase metade do desmatamento calculado a partir de 77 cenas captadas por satélites do território de 416 cidades.
Esse municípios abrangem as áreas mais críticas e juntos foram responsáveis pelo desmatamento de 2,152 milhões de hectares no final do governo de Fernando Henrique e início do de Luiz Inácio Lula da Silva. Essa, porém, não é taxa definitiva. Para calculá-la ainda se analisa um total de 219 imagens.
Criação de gado, expansão da fronteira agrícola (soja, arroz e milho), exploração ilegal de madeira, grilagem de terra e até abertura de estradas estão entre as principais causas da destruição. Aripuanã, por exemplo, terceiro lugar na lista, é hoje uma nova fronteira de pecuária.
Os números preliminares foram discutidos ontem entre representantes do Ministério do Meio Ambiente e de 24 ONGs, institutos de pesquisas e órgãos públicos. A taxa oficial será apresentada hoje no Palácio do Planalto. "A expectativa é de que vai ter redução", desconversou o secretário de Biodiversidade, João Paulo Capobianco.
O sigilo irritou convidados. "Isso não é taxa de juros, não é decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), para se esconder até a última hora", disse Roberto Smeraldi, da Amigos da Terra. Pelos dados preliminares, ele estima que o corte se aproxime dos 2,5 milhões de hectares registrados de agosto de 2001 a agosto de 2002.
O que chama a atenção das ONGs é que tradicionalmente em anos de estagnação econômica o desmatamento recuou. Mas, apesar do esfriamento da economia em 2003, o norte de Mato Grosso intensificou o corte. A região prospera com o plantio de soja.
OESP, 07/04/2004, p. A14
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