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Mergulho no caos

CB, Ciência, p. 34
17 de Dez de 2009

Mergulho no caos

Quanto mais se aproxima o fim da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), maior a sinalização de que não sairá da Dinamarca nenhum acordo satisfatório.

A tensão aumentou ontem, e os ministros tiveram de trabalhar num ambiente caótico, com protestos do Brasil, da Índia e do Tuvalu, que comparou o evento ao naufrágio do navio Titanic.

Durante a manhã, 170 pessoas foram detidas pelo controle de segurança do Bella Center, incluindo o negociadorchefe da delegação brasileira, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado.

Nas reuniões, foi decidido que o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen, assumiria a presidência das negociações do clima, em substituição à ministra do Meio Ambiente Connie Hedegaard, que passará a coordenar as conversações informais.

Rasmussen será o presidente da fase final das negociações, que serão concluídas na sexta-feira com um encontro de quase 120 chefes de Estado e de Governo, segundo Yvo de Boer, principal funcionário da ONU para a questão climática. Não se deve esperar, porém, grandes avanços. O primeiroministro australiano, Kevin Rudd, disse que "não há garantias de êxito". Por sua vez, o premiê britânico, Gordon Brown, afirmou à BBC que será muito difícil fazer um acordo.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, definiu a quarta-feira como "o dia da 'colchetação'", referindose aos espaços em branco no texto de negociações, que ainda precisam ser discutidos. Porém, apostou que tudo dará certo. "Esperamos que as coisas estejam bem. Sempre perto do final, em qualquer negociação, há uma intensificação.

Não significa que não vai dar certo", afirmou.

No plenário da conferência, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aproveitou para discursar e culpar o capitalismo pela atual situação climática. "Os ricos estão destruindo o planeta", disse. Chávez, que foi um dos primeiros chefes de Estado a chegar à COP-15, aludiu à ausência de seu colega americano Barack Obama, que só chega na sexta-feira. "Podese dizer que um fantasma percorre as ruas de Copenhague e acho que ele anda entre nós, nesta sala, um fantasma espantoso que quase ninguém quer nomear é o capitalismo", afirmou, enfatizando a responsabilidade dos países industrializados no aquecimento global.

"Mãe Terra"
Já o presidente boliviano, Evo Morales, anunciou que está promovendo com as Nações Unidas a aprovação de uma Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra, assim como a criação de um tribunal de justiça climática.

Assim, afirmou, "os países com industrialização irracional pagarão a dívida que têm para com o planeta".

"Venho, em nome dos povos indígenas que sempre viveram em harmonia com a natureza, defender os direitos da Mãe Terra", disse.

Do lado de fora do Bella Center, a confusão foi entre manifestantes e policiais. Mais de 100 pessoas foram presas, quando tentavam avançar em direção à sede da conferência. "Nosso objetivo é entrar no Bella Center por outras vias e sem violência", declarou Peter Nielsen, porta-voz dos ativistas.

Porém, a polícia não permitiu. Entre 700 e 800 pessoas tentaram avançar até a entrada da conferência, mas enfrentaram um grande dispositivo policial.

Os manifestantes se dispersaram para tentar desorganizar as forças, mas não conseguiram. Depois de uma rápida confusão e do uso de gás lacrimogêneo, eles foram detidos, algemados e colocados no chão.

Ajuda para florestas
Austrália, França, Japão, Noruega, Inglaterra e Estados Unidos anunciaram uma ajuda imediata de US$ 3,5 bilhões em três anos para a luta contra o desflorestamento, responsável por 20% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Em comunicado comum, os seis explicam que esperam, dessa forma, "vencer e, se possível, derrubar o desmatamento nas nações em desenvolvimento".

CB, 17/12/2009, Ciência, p. 34

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