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Merenda estraga e alunos passam fome em escola na aldeia

Dourados Agora - http://www.douradosagora.com.br/
Autor: Valéria Araújo
20 de Mar de 2012

Comida deteriora nas prateleiras enquanto 500 estudantes indígenas estão sem alimentação

Enquanto alimentos deterioram nas prateleiras da Escola Estadual Marçal de Souza, crianças indígenas passam fome, sem merenda no colégio. A denúncia é de lideranças indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru de Dourados. Eles ingressaram com representação no Ministério Público Federal.

De acordo com o cacique Vilmar Martins Machado, da Aldeia Jaguapiru, pelo menos três fardos de arroz, outros três de feijão estariam "carunchados". Ovos podres e leite, extrato de tomate e chocolete em pó estão para vencer nos próximos dias.

O Progresso e o site Douradosagora estiveram na escola, mas foram impedidos de entrar no prédio. As lideranças indígenas tentaram, mas sem sucesso, mostrar o estoque vencido. Mas, de acordo com eles, as portas foram fechadas à comunidade, uma determinação da Secretaria de Educação do Estado, dizem eles.

"Eu vi os alimentos estragados. Vi e afirmo que eles estão lá no estoque. Enquanto isto, as nossas crianças passam fome. Muitos saem de casa sem tomar café ou almoçar e ficam horas dentro de uma sala de aula, sem nenhuma alimentação", destaca o "vice cacique" Leomar Mariano.

Segundo ele, as lideranças indígenas iniciaram uma investigação na escola por uma solicitação dos alunos. "Eles diziam que estavam sem merenda desde o ano passado. Fomos até a Secretaria de Educação do Estado e recebemos a informação de que os repasses de alimentos à escola ocorriam normalmente durante todos os meses.

No mês de fevereiro, ao menos R$ 26.160,00 teriam sido destinados à escola. Não sabemos o que foi feito deste dinheiro, uma vez que as crianças continuam sem merenda. Uma interventora do Estado já está na escola e um relatório deve ser gerado nos próximos dias", destaca.

Leomar alerta para falhas crônicas na administração, como duas salas que estão fechadas, enquanto alunos estariam fora da escola, falta de professores e de uma merendeira.

"Em relação aos educadores, a direção da escola não quis contratar nossos indígenas que, mesmo formados, não encontram espaço. Em relação a merendeira, o município poderia ter cedido um profissional se fosse comunicado. Não sabemos se isto ocorreu", destaca, observando que o pedido das lideranças é para que a direção seja substituída o mais rápido possível.

O Douradosagora e O Progresso entraram em contato com a direção da escola, que informou que os alimentos vencidos são de setembro de 2011 e, devido ao prazo de validade, não foram fornecidos aos alunos. Segundo a direção, tratam-se de sobras do ano passado que estão guardados no depósito.

A escola aguarda o desenrolar de um processo de licitação para o fornecimento dos alimentos da merenda deste ano. A expectativa é de que hoje estes alimentos cheguem na escola.

A Secretaria de Estado de Educação informou que todas as denúncias estão sendo investigadas e que a primeira providência foi o afastamento da diretora da escola. Por outro lado, ela diz que o afastamento é temporário devido a um curso que está realizando em Campo Grande.

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