VOLTAR

MERCÚRIO: Índios estão ameaçados

Estadão do Norte-Porto Velho-RO
07 de ago de 2003

Os índios pakaanóva, que vivem nos municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, no estado de Rondônia, estão muito expostos ao mercúrio, metal tóxico que pode prejudicar o funcionamento do sistema nervoso e dos aparelhos digestivo, respiratório e urinário.
As tribos habitam a bacia do rio Madeira, em áreas sob influência de atividades garimpeiras, que emitem grandes quantidades de mercúrio para o ambiente. Esse metal se deposita na água do rio e acaba por contaminar os peixes.
Desse modo, os índios da Amazônia ficam vulneráveis ao mercúrio, já que o pescado é sua principal fonte de proteínas.
A equipe de Elisabeth Santos, da seção de meio ambiente do Instituto Evandro Chagas, vinculado à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), verificou que o teor de mercúrio em amostras de cabelo dos pakaanóva é elevado, o que revela a necessidade de ações que garantam a saúde da população indígena.
Um artigo da última edição da revista Cadernos de Saúde Pública - publicada pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) - apresenta os resultados dessa pesquisa, segundo os quais a exposição ao mercúrio é especialmente grave em crianças índias menores de 5 anos, cujo desenvolvimento neuropsicomotor pode ser afetado pelo metal.
Foi a partir do final da década de 70, quando a atividade garimpeira se intensificou na região amazônica, que as populações indígenas passaram a ter a saúde mais ameaçada.
Os garimpeiros jogam mercúrio na água, pois esse metal forma uma amálgama com os grãos finos de ouro e, assim, permite coletá-los com facilidade.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.