Site da Funai
07 de Mai de 2004
O presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, em reunião nesta sexta-feira (7) com os servidores da Fundação, agradeceu o apoio que tem recebido nos últimos meses, principalmente diante de uma série de críticas sobre o processo de homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e, recentemente, pelo episódio envolvendo índios Cinta-Larga e garimpeiros, na Terra Indígena Roosevelt, em Rondônia. Gomes ressaltou que uma das funções da instituição é no sentido de intermediar a relação entre os índios e os não índios. "Uma intermediação não apenas no processo de demarcação de terras, de projetos e apoio econômico, mas também no sentido de demonstrar à sociedade que os índios devem ter o espaço do amor e do respeito", enfatizou.
Mércio Gomes, que completou oito meses na presidência da Funai este mês, destacou algumas ações implementadas, recentemente, como o esforço para manter o Museu do Índio no âmbito da Fundação e o fechamento do Centro de Convívio pela Vigilância Sanitária e Ministério Público. A ação, explicou, é necessária para que tenha início o processo de regularização da casa, que resultará em melhorias na hospedagem dos índios que vêm a Brasília fazer suas reivindicações aos órgãos públicos.
Segundo o antropólogo, o fechamento temporário da Casa causará transtornos, inclusive para quem estava praticamente morando no local. "Mas isso não acontecerá mais", garantiu. "O Centro de Convívio não é lugar para se morar. É uma casa de passagem, onde é possível ficar cinco dias, com prorrogação de cinco dias, em função da agenda a ser cumprida em Brasília ou nos demais órgãos, tudo isso com uma convivência harmônica entre as etnias", explicou.
O presidente reafirmou a satisfação de trabalhar na Funai, que, na sua opinião tem uma missão republicana, no sentido de inserir no coração dos brasileiros o universo dos povos indígenas e abrir espaço para que eles tenham preservados seu lugar, sua cultura e sua vivência. "É nisso que se encontra o valor de nossa missão. A Funai ainda tem de 25 a 30 anos de missão pela frente. Aos poucos a entidade está encontrando um caminho melhor. Temos que deixar de ser paternalistas", ressaltou.
Plano de cargos - Mércio Gomes reiterou seu empenho na criação do Plano de Cargos e Salários da Funai, processo que está em andamento no Ministério do Planejamento, bem como a necessidade da realização do concurso público para ampliar o quadro de funcionários, atualmente perto de 2.100. Outra preocupação está relacionada ao orçamento da Fundação, estimado em R$ 63 milhões. O presidente pretende conseguir, ainda este ano, crédito suplementar de R$ 60 milhões.
Sobre o processo de reestruturação, em função da destinação de alguns cargos de DAS (Direção e Assessoramento) para a Funai, o antropólogo anunciou, a médio prazo, a criação de uma assessoria parlamentar; da Coordenação Geral de Saúde, com funcionamento semelhante à Coordenação Geral de Educação e uma nova diretoria, semelhante a uma superintendência das administrações regionais, com quatro coordenações regionais.
Outra meta, a longo prazo, é fortalecer as administrações nos estados, principalmente onde há carência de representação da Funai diante de problemas, como conflitos. "Essa pequena reestruturação será positiva", resumiu.
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