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Menos água no chope da Ambev

JB, Economia & Negócios, p. A20
29 de Set de 2005

Menos água no chope da Ambev
Fabricante de bebidas intensifica ações ambientais e estuda negociar contratos no mercado de crédito de carbono da Bolsa do Rio

Bruno Rosa

A Ambev, dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica, investe pesado para tirar água do chope, literalmente. A ação faz parte de um dos pilares do projeto de gestão de sustentabilidade promovida pela principal cervejaria da América Latina. Ano a ano, a empresa destina recursos da ordem de R$ 50 milhões para o programa de desenvolvimento sustentável.
As ações incluem ainda o aumento de reciclagem dos resíduos orgânicos e a redução do gasto de energia elétrica. Além disso, a empresa também promove, aos poucos, a substituição de combustíveis fósseis na matriz energética por fontes alternativas de energia. A ação é suficiente para a companhia analisar e quantificar a redução de sua emissão de gás carbônico no meio ambiente, passando a negociar contratos no mercado de crédito de carbono criado pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
As mudanças na gestão ambiental vão permitir que a receita com os subprodutos orgânicos aumentem este ano 20% em relação a 2004 e alcancem a meta de R$ 50 milhões até dezembro.
- Sustentabilidade é uma questão de sobrevivência para qualquer empresa. Investe-se agora e colhe-se os resultados depois. Estimulamos a conscientização de todos os funcionários e monitoramos os resultados de todas as fábricas, criando, inclusive, entre elas, competições para alcançarem as metas. Além de obter ganhos financeiros, gasta-se menos recursos naturais como água, o que reduz o impacto na natureza - explica Beatriz Oliveira, gerente de área de meio ambiente da Ambev ao JB. Ela participa hoje do seminário A Ecoeficiência no Setor Empresarial promovido pelo Sebrae-RJ e pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre).
A quantidade de água usada para fabricar um hectolitro (100 litros) de cerveja passou de 5,62 litros de água em 2001 para 4,37 litros em 2004. A meta para este ano é de redução ainda maior, para 4,08 litros. A economia total de água gerada pela empresa entre 2003 e 2004 é suficiente para abastecer, por mês, uma cidade com cerca de 60 mil habitantes.
- Investimos em tecnologia e na padronização dos procedimentos, como a quantidade suficiente de água para a limpeza de um tanque, por exemplo. Todas as fábricas possuem estações de tratamento que, juntas, têm capacidade para tratar 200 mil metros cúbicos de efluentes por dia - completa Beatriz.
A reciclagem de itens como restos de garrafas e casca e bagaço do malte, por exemplo, também é alvo dos investimentos da companhia. Na fábrica do Rio, a maior do país, o índice de reciclagem das sobras é de 99%. Acima, portanto, da média das outras 29 unidades da empresa, de 96,5%. A meta para este ano é de 97%.
A empresa acabou de aprovar investimentos de R$ 1 milhão para a compra de dois secadores que tiram a umidade do fermento e o transformam em levedura seca, fonte de proteína. O menor consumo de energia também vem obtendo bons resultados. Caiu de 9,62 killowatts por hora a cada hectolitro de cerveja em 2000 para 8,78 kw/h ano passado. A meta este ano é de 8,52 kw/h.
Além disso, cinco fábricas da companhia já adotaram o sistema de biogás. Juntas, elas reduzem a emissão de 2.900 toneladas de carbono por ano.
- Tecnologias em novos equipamentos consomem menos. Sempre estamos melhorando as práticas internas e buscando novas soluções para melhorar nossos resultados. Com a união com a Interbrew esse processo foi potencializado - afirma Beatriz, lembrando que a InBev (fusão das duas cervejarias) divulgará o balanço de responsabilidade social este ano.

JB, 29/09/2005, Economia & Negócios, p. A20

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