OESP, Cidades, p. C4
26 de Fev de 2004
Melhora nível do Sistema Cantareira: 11,7%
Na sexta-feira, índice era 6,6%; racionamento ainda não pode ser descartado
O nível do Sistema Cantareira chegou a 11,7% ontem. Na sexta-feira, ele era de 6,6%. Mas o índice ainda é alarmante e muito distante do ideal para afastar a hipótese de racionamento em março. Há um ano, o sistema estava com 49,3% da capacidade. "A situação é preocupante. Não dá para deixar de estar em alerta", disse o gerente do Departamento de Controle e Abastecimento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Amauri Pollachi.
A empresa espera que, até o fim do mês, o reservatório chegue a 15% da capacidade. A expectativa para o fim do período de chuvas é atingir 30%.
Mesmo assim, o racionamento não está descartado. Há cerca de uma semana, a probabilidade de rodízio era de 95%.
O nível subiu graças à intensidade das chuvas nos últimos quatro dias. No Cantareira choveu 109 milímetros. Até ontem, o volume acumulado era de 241 mm. A média histórica de fevereiro é de 209 mm.
Emergência - A chuva contínua dos últimos dias colocou Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, em estado de emergência.
Desde segunda-feira até ontem à tarde, havia chovido 113,1 milímetros.
"Vamos decretar estado de calamidade, se atingir 120 mm", disse o chefe da Defesa Civil do município, Elias Vidal de Souza França.
Desde segunda-feira, 56 ocorrências de deslizamentos e desmoronamentos foram registradas. Cerca de 5 mil pessoas moram em áreas consideradas de risco.
Seis famílias tiveram de ser retiradas de suas casas e foram removidas para o alojamento da prefeitura. No Bairro Monte Carlo, um barraco desabou na noite de segunda-feira e cinco pessoas foram soterradas, entre elas, quatro crianças. A família foi socorrida e passa bem. Umidade - Tanta chuva, que atingiu praticamente todo o Estado nos últimos dias, é causada pela zona de convergência do Atlântico Sul, chamada "zaca". Típica do verão, ela ocorre quando uma frente fria fica parada durante vários dias, recebendo muita umidade da região amazônica, que intensifica a instabilidade, explicou o meteorologista da Climatempo, André Madeira.
Com a entrada de uma massa de ar seco pelo oeste paulista, o sol volta a predominar e a chuva pára nessa região.
Amanhã, o tempo segue ensolarado no oeste e o ar seco empurra cada vez mais as nuvens para fora do Estado. No fim de semana, o sol volta a predominar sobre todas as regiões e o aquecimento provoca chuvas de verão ao entardecer.
A estação do Instituto Nacional de Meteorologia no Mirante de Santana, na zona norte, registrava, às 15 horas de ontem, 359,8 milímetros de chuva. A média histórica em fevereiro, na capital, é 238. (Bárbara Souza, Cacau Fogaça e Simone Menocchi)
OESP, 26/02/2004, Cidades, p. C4
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