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Mega-Barragens destroem florestas, Comunidades Indígenas e não são boas para o clima

Coiab - http://www.coiab.com.br/
08 de Dez de 2010

Na tarde de hoje, representantes da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e da Amazon Watch, colocaram um banner de 3 metros em frente ao pavilhão brasileiro em Cancún Messe que dizia: "Defenda a Amazônia. Pare a Barragem de Belo Monte!" para alertar sobre a destruição a ser causada pelo complexo da Barragem de Belo Monte, se construído.

Se construída, a barragem será a terceira maior do mundo, depois da barragem das Três Gargantas na China e da barragem de Itaipu na fronteira do Brasil com o Paraguai. O projeto de 17 bilhões de dólares desviaria quase que totalmente o fluxo do Rio Xingu ao longo de 100 km; a represa inundaria uma área de mais de 400 km2 de florestas e povoados locais, deslocaria mais de 40.000 habitantes de comunidades indígenas e povoados locais, dentre eles milhares de pessoas da cidade de Altamira, um terço da qual seria alagada. A represa também geraria altas quantidades de metano, gás de efeito estufa de 25 a 40 vezes mais potente do que o dióxido de carbono.

Sonia Guajajara, Vice Coordenadora da COIAB, declarou:

Estamos preocupados com o modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil, que tem impacto direto sobre a população indígena. As barragens propostas destruirão a Amazônia e deslocarão comunidades de seus territórios tradicionais, o que leva à destruição de suas culturas, tradições e estilo de vida. Não queremos grandes barragens hidrelétricas. Queremos um processo público adequado à população indígena. O governo não cumpriu os acordos internacionais, não nos consultou nem recebeu nosso consentimento livre, informado e prévio (CLIP). O presidente Lula não deve inaugurar o Complexo da Barragem de Belo Monte na semana que vem sem o CLIP das comunidades indígenas ou sem cumprir as 40 condições sociais e ambientais recomendadas pelo IBAMA.

O Brasil tem enorme potencial para exploração das energias solar e eólica, mas, conforme declarado em várias apresentações nesta semana em Cancun, tem planos de construir mais de 60 barragens somente na Amazônia brasileira. O BNDES financia muitos desses projetos. Pesquisas mostraram que a exploração de energias renováveis é economicamente viável no Brasil e poderia fornecer 20% da eletricidade do país até 2020, em comparação com os atuais ínfimos 1,3%. A geração de eletricidade por meio de fontes renováveis criaria 8 milhões de novos postos de trabalho, muito mais do que a Barragem de Belo Monte.

Leila Salazar-Lopez, Diretora de Programa da Amazon Watch declarou:

Existem soluções de Energia Verde para o Brasil e para outros países, mas é preciso ter forte vontade política para reverter de fato o curso da destruição causada pelas imundas mega-barragens da Amazônia. Será necessário mais do que a redução de 80% da taxa de desmatamento até 2020 para verdadeiramente defender a Amazônia brasileira e reduzir de fato as emissões. A presidente Dilma Rouseff pode iniciar seu governo no dia 1 de janeiro de 2011 cancelando o Complexo da Barragem de Belo Monte e começando a adotar um novo modelo para energia e desenvolvimento que não destrua a Amazônia, as comunidades indígenas e locais nem o clima.

Fonte: Amazon Watch

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