Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
16 de Jun de 2004
O administrador da Funai reconhece que a proibição pode estimular o comércio clandestino, deixando os índios a mercê de "aproveitadores".
De acordo com Ariovaldo Santos, isso pode ocorrer em razão da pouca eficiência dos órgãos repressores em fiscalizar a atuação de outros compradores interessados em adquirir de forma ilegal os artefatos indígenas. "Como não há muito controle, pode se repetir o assédio que os índios sofrem para vender peixe durante a Piracema, por exemplo", afirma Santos.
A discussão, a partir de então, volta-se para o impacto na sustentabilidade dos índios. Para Santos, a medida pode servir de estímulo para que o poder público e as instituições invistam em fomentar outras atividades econômicas, como o beneficiamento da castanha-do-pará e da seringa. Já o pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso, Aloir Paccini, entende que o contato com os "aproveitadores" pode ser benéfico para os índios. "Assim eles podem negociar livremente seus produtos com outros compradores, sem a intervenção da Funai", opina. Paccini rechaça o argumento de que os índios podem ameaçar o equilíbrio ecológico com a confecção de artefatos com plumas, penas e dentes. Nas reservas, segundo ele, muitos animais tidos como ameaçados de extinção são encontrados ainda em abundância. Os índios rikbaktsa, do Norte do Estado, já criam em cativeiro as araras usadas para produzir os artigos.(DP)
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