O Globo,, Rio, p. 14
26 de Nov de 2014
Matusalém dourado
Biólogos encontram mico-leão com 17 anos em Rio Bonito
PAULO ROBERTO ARAÚJO pra@ oglobo.com. br
O mico-leão-dourado mais velho de que se tem registro no Brasil, uma fêmea de 17 anos e dois meses, foi localizado pela bióloga Andréia Martins durante um trabalho de monitoramento dos primatas na Fazenda Rio Vermelho, em Rio Bonito. A descoberta do animal foi motivo de festa entre os biólogos da Associação do Mico-LeãoDourado (AMLD), que há 20 anos trabalha para evitar a extinção da espécie. A "vovó", de 17 anos, é filha de micos que foram reintroduzidos na região em 1992. O pai dela veio do Jardim Zoológico de Estocolmo, na Suécia, e a mãe, do Zoo de Emmen, na Holanda. Os micos vivem em média 15 anos e até agora só se tinha notícia da presença de netos e bisnetos de animais que foram reintroduzidos na região de Poço das Antas, em Silva Jardim, onde vivem 3.200 primatas.
- O esforço para salvar o mico- leão- dourado da extinção é reconhecido como um dos poucos casos de sucesso no mundo em que a recuperação de uma espécie ameaçada de extinção ocorreu a partir da reintrodução de indivíduos da população de cativeiro. Esta preciosidade encontrada pela equipe de campo da AMLD vive num grupo que mora na Fazenda Rio Vermelho. A participação de fazendeiros foi essencial para aumentar a população da espécie, que só vive naturalmente no Estado do Rio - disse o secretário- executivo da AMLD, Luiz Paulo Ferraz.
A fêmea foi encontrada durante o trabalho rotineiro de monitoramento da espécie, que vive em famílias de cinco primatas nas reservas biológicas de Poço das Antas e União, num total aproximado de 800 animais. Cada animal do grupo recebe uma pequena tatuagem de identificação e um deles usa um colar com um transmissor, através do qual os biólogos localizam os micos-leões-dourados.
- Apesar da idade avançada, o comportamento dela não se diferencia dos demais adultos, bem mais jovens. Ela continua se alimentando da mesma maneira que os outros, apesar de já não possuir os dentes. Também realiza as obrigações sociais estabelecidas para cada indivíduo da família. Antes dela, outra vovozinha ocupava o posto, com 16 anos - explicou a bióloga Andréia Martins, que trabalha há 20 anos no monitoramento.
RISCO DE EXTINÇÃO PERMANECE
Luiz Paulo Ferraz disse que a localização da "vovó" de 17 anos indica mais um resultado vitorioso de anos de trabalho de reintrodução, realizado nas décadas de 80 e 90, e monitoramento da espécie. Segundo ele, os primatas não estão completamente livres do risco de extinção:
- Nosso grande desafio é a restauração das florestas, porque o mico-leão-dourado precisa de grandes áreas para sobreviver. Nossas áreas verdes são muito fragmentadas e sofrem agressões. A recuperação florestal é cara e o resultado só ocorre a longo prazo. A solução é plantar muitas árvores e proteger as existentes.
Os micos são endêmicos (típicos de uma região) das florestas litorâneas de baixada do estado. Podem ser vistos em oito municípios, especialmente em Silva Jardim, Rio Bonito e Casimiro de Abreu, e também na Serra das Emerências, entre Cabo Frio e Búzios.
O Globo, 26/11/2014, Rio, p. 14
http://oglobo.globo.com/rio/biologos-encontram-mico-leao-dourado-com-17…
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