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Matriz limpa

O Globo, Opinião, p. 6
21 de Set de 2009

Matriz limpa

Uma pesquisa da empresa GlobeScan com 20 mil pessoas em 19 países de África, Américas, Ásia e Europa demonstrou o entendimento global de que o combate ao aquecimento, além de uma questão de sobrevivência da Humanidade, é um imperativo de ordem econômica. Para 60% dos entrevistados, os investimentos para reequilibrar o meio ambiente beneficiarão a economia mundial.
A menos de três meses da decisiva conferência da ONU sobre o clima em Copenhague, Dinamarca, é preciso que os políticos compreendam isso. Embora tenham perdido tempo precioso, os EUA, com Obama, saíram da letargia. No início dos anos 60, após a União Soviética enviar o primeiro homem ao espaço, o presidente Kennedy prometeu pôr um americano na Lua até o fim daquela década. E cumpriu. Obama promete eliminar a dependência do petróleo do Oriente Médio em dez anos. E investir em energia limpa e capaz de levar o país a novo salto tecnológico, e com a geração de empregos. Com isso, espera cortar a emissão de CO2 em 80% até 2050. A Casa Branca acaba de anunciar que as emissões de poluentes pelos veículos terão de se reduzir em 40% até 2016. Na Califórnia, o governador Arnold Schwarzenegger determinou que, até 2020, um terço da energia consumida no estado provenha de fontes renováveis. A questão climática é hoje de segurança nacional nos EUA. Outros países estão fazendo sua parte. A Alemanha tornou-se líder mundial em energia solar, respondendo por 50% do que é gerado dessa forma no mundo, com a criação de 50 mil empregos. A China, com uma deterioração catastrófica do meio ambiente, decidiu investir pesadamente em energia limpa e adaptar o mercado interno para receber a solar e a eólica (ventos), o que lhe dará uma poderosa plataforma de exportação.
À parte a imperiosa necessidade de estancar as queimadas, que empurram o país para o pódio dos grandes emissores de CO2, o Brasil produz energia pouco poluente em hidrelétricas e usinas nucleares, além de mover a etanol uma parcela crescente de veículos. 0 governo vive a compreensível euforia das descobertas de petróleo no pré-sal, que permitirão multiplicar nossas reservas. Mas, como lembrou Delfim Netto no jornal "Valor", "a energia fóssil não será a agenda do futuro das potências(...)". Parte da receita obtida com a produção do pré-sal precisará ser reservada para limpar de vez a matriz energética do Brasil, dar um salto tecnológico. Ninguém pode se furtar ao desafio de reduzir a poluição, mesmo que se nade em petróleo, combustível típico do século n do passado.

O Globo, 20/09/2009, Opinião, p. 6

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