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'Mataram nossa liderança a facadas', conta índio Waiãpi.

Época - https://epoca.globo.com
Autor: Bárbara Libório
28 de jul de 2019

"Não queremos mais morrer". É o que disse Viceni Waiãpi, coordenador das aldeias dos Waiãpi, ao relatar o ataque de 50 garimpeiros à terra indígena no Amapá na tarde da última sexta-feira 26. Pelo menos uma liderança foi morta: o cacique Emyra Waiãpi, de 68 anos. "Ele foi morto a facadas. Várias facadas no corpo dele, inclusive no pênis. Foi muito feio", contou Viceni em áudio enviado ao fotógrago Apu Gomes, ao qual ÉPOCA teve acesso.

Gomes trabalha com os índios há alguns anos e os acompanhou a uma recente viagem a ONU, em Nova York, para pedir ajuda às autoridades. "Meu último contato com ele foi por volta das nove da noite. Depois acabou a bateria do celular dele, e ele estava se locomovendo para uma região sem sinal de telefone", conta.

Em seu relato, Viceni conta que os garimpeiros continuaram na aldeia após o ataque. "Ainda estão lá. Atirando muito na estrada, com espingardas e armas pesadas. Não conseguimos diálogo com eles. Estamos com muito medo", conta. "Eles estão ocupando pequenas aldeias durante a noite, agredindo crianças, mulheres. Eles também tem cachorros."

O índio pede o apoio das autoridades brasileiras. "Precisamos muito de apoio. Não queremos mais morrer. Queremos paz. Estamos tristes e revoltados com o que está acontecendo", afirma.

Em maio, Viceni se encontrou com Sílvia Waiãpi, secretária da Saúde Indígena do governo do presidente Jair Bolsonaro. Ela chegou a publicar um registro do encontro nas redes sociais da Sesai.

Equipes da Polícia Federal e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegaram à região na manhã deste domingo. De acordo com um memorando da coordenação regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) , a invasão à região começou a ocorrer no último dia 23, terça-feira, quando foi confirmada a morte do cacique Emyra Waiãpi.

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