VOLTAR

Mata Atlântica lidera proteção de áreas

OESP, Vida, p. A23
31 de Mar de 2010

Mata Atlântica lidera proteção de áreas

O bioma que mais possui reservas particulares no Brasil é o que mais foi desmatado: a Mata Atlântica, com 619 RPPNs. A disparidade é enorme ao se comparar com o bioma mais pobre em reservas - o Pampa tem apenas 8 áreas reconhecidas.
"Como a Mata Atlântica já perdeu mais de 90% da cobertura original, há um esforço muito grande de criar RPPNs", afirma Mariana Machado, coordenadora do Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica.
Essa iniciativa das ONGs Conservação Internacional, Fundação SOS Mata Atlântica e The Nature Conservancy (TNC) para ajudar financeiramente proprietários do bioma existe há sete anos e já apoiou a criação de 381 RPPNs e a gestão (como instalação de infraestrutura) de 78.
"Cerca de 80% do que ainda temos de Mata Atlântica está nas mãos dos particulares, por isso é muito importante preservar as áreas privadas", diz Mariana.
O administrador de empresas Daniel Turi, de 33 anos, foi um dos beneficiados. Ele gastou aproximadamente R$ 5 mil para fazer um levantamento topográfico, obter documentação e, dessa forma, criar a RPPN Encantos da Jureia, no município de Pedro de Toledo, em 2008. "Era um sonho de criança que consegui realizar", afirma ele.
Em Mato Grosso do Sul há outro programa para incentivar RPPNs no Pantanal e no Cerrado (www.repams.org.br). A Aliança da Caatinga também tem auxiliado donos de terras a proteger suas áreas verdes. No primeiro edital, foram apoiadas 18 RPPNs. E existe mais um em andamento. / A.B.

Locais ajudam parques e geram novas descobertas

As RPPNs podem proteger a biodiversidade e ajudam a aumentar o conhecimento científico no País. Na RPPN Ecofuturo, por exemplo, ocorreram descobertas de novas espécies: dos 47 anfíbios que habitam a área, 2 não haviam sido descritos pela ciência e, das 144 espécies de formigas, 1 era desconhecida.
A Ecofuturo fica dentro do Parque das Neblinas, que é privado, e faz divisa com o Parque Estadual da Serra do Mar. O Instituto Ecofuturo, mantido pela Suzano Papel e Celulose, criou a reserva há um ano em Bertioga. Ambientalistas defendem a criação de RPPNs no entorno de unidades de conservação, para ajudar a proteger a região e reduzir a pressão externa. Elas também são úteis para interligar áreas menores de mata.
"Nossos funcionários são ex-caçadores e ex-extratores de palmito e há quatro anos não temos registro desses crimes", diz Paulo Groke, gerente de produtos ambientais do Instituto Ecofuturo. / A.B.

OESP, 31/03/2010, Vida, p. A23

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.