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Marina vira rainha da floresta em evento nos EUA

OESP, Nacional, p. A6
26 de Abr de 2010

Marina vira rainha da floresta em evento nos EUA
No Dia da Terra, pré-candidata do PV foi descrita como a 'pessoa-chave para redução do desmatamento' no Brasil

Patrícia Campos Mello
Correspondente em Washington

Apresentada como "a heroína da floresta", a senadora Marina Silva, candidata do PV à Presidência, discursou ontem à tarde em Washington para uma plateia de mais de 2 mil pessoas no National Mall.
"Sou Marina Silva, da Amazônia, Brasil", disse a senadora em português, durante o show de comemoração dos 40 anos do Dia da Terra. O público não entendeu muita coisa do que ela falava, porque o intérprete ao lado de Marina engasgou algumas vezes e deixou de traduzir vários trechos de seu discurso. Mas a senadora falou sobre o comprometimento do Brasil com redução de emissões de poluentes e manifestou apoio à Lei do Clima que será votada nos Estados Unidos. Ela foi descrita como a "pessoa-chave para redução do desmatamento" no Brasil.
"O futuro de nossos filhos depende do que fizermos agora", disse. "Estamos diante de um momento histórico - o povo americano já fez coisas boas em muitos momentos, em favor de humanos, e agora é hora de assumir esse mesmo compromisso em relação à trajetória do planeta."
Desconhecida. Marina foi bastante aplaudida, mas a grande maioria das pessoas presentes não sabia quem ela era. A senadora e presidenciável nem sequer estava listada nos folhetos de apresentação do evento. Os informativos se limitavam a anunciar a apresentação de sindicalistas como Richard Trumka, do reverendo Jesse Jackson, decano do movimento dos direitos civis, e do advogado e ambientalista Robert Kennedy Jr., filho de Bob Kennedy.
"Fiquei muito impressionada com a história dela, que não sabia ler até os 15 anos e depois virou ministra, mas não, nunca tinha ouvido falar nela", disse Abby Marshak, de 23 anos.
Robert Kennedy posou para uma foto ao lado de Marina e garantiu: "Todo mundo que lê jornal sabe quem é a Marina Silva. O Brasil é uma das maiores economias e deu exemplo ao resto do mundo ao ter descarbonizado o sistema de transporte, mas também tem grandes problemas."
Segundo Kennedy, há dois futuros para o Brasil, um de economia de mercado que seja impulsionada pelo conservacionismo e pela sustentabilidade, e a outra de uma economia que só enriquece alguns por meio do empobrecimento de muitos. "E Marina está do lado certo desse debate."
Avatar. O curto discurso de Marina, de pouco mais de dois minutos, veio antes de apresentações de artistas como Sting, John Legend, Joss Stone e Jimmy Cliff.
À noite, a pré-candidata do PV se encontraria com o diretor do filme Avatar, James Cameron. O diretor canadense é ativista ecológico e protestou contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte no Brasil. Marina é fã dos filmes de Cameron. "Assisti duas vezes ao Avatar e gostei muito", disse a senadora.
Hoje pela manhã ela dará uma entrevista para jornalistas americanos. Depois, queria aproveitar intervalos de seus compromissos para visitar papelarias e comprar algumas lapiseiras. A candidata tem xodó por lapiseiras. "Como só escrevo a lápis, é fundamental", justificou. "Outro dia o Millôr Fernandes fez um artigo lindo, dizendo que o lápis é um computador perfeito, com a borracha você deleta e com a ponta faz a digitação; quando li isso, eu disse: encontrei meu libertador."

OESP, 26/04/2010, Nacional, p. A6

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100426/not_imp543043,0.php

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