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MANIOCA LEVA A CULINÁRIA AMAZÔNICA PARA TODO O PAÍS

OESP, Economia, p. B1
23 de Ago de 2020

MANIOCA LEVA A CULINÁRIA AMAZÔNICA PARA TODO O PAÍS

Startup que nasceu em 2014 cresce até 60% ao ano e fornece para a maioria dos grandes restaurantes de comida brasileira de São Paulo e do Rio

Texto: Cleide Silva

Joanna Martins sempre esteve envolvida com os sabores amazônicos, em especial com a culinária paraense, pois passou boa parte da vida vendo a avó, e depois os pais, divulgarem pratos típicos da região em um pequeno restaurante inaugurado em 1972 em Belém (PA), o Lá em Casa.

No fim dos anos 90, quando a gastronomia ganhou importância no País, o pai de Joanna, Paulo Martins - que sempre esteve ao lado de sua mãe no restaurante - passou a ser convidado para dar aulas e fazer jantares, principalmente para chefs de grandes restaurantes, levando esses sabores que, segundo ela, ainda eram desconhecidos no meio.

Inspirado nesse trabalho, Martins criou em 2000 o Festival Ver o Peso da Cozinha Paraense, que foi realizado anualmente em Belém até o ano passado. Com ele, viu aumentar a procura por ingredientes por chefs de cozinha de várias partes do Brasil. "Muitas vezes meu pai pegava o ingrediente, embalava, colocava numa caixa de isopor e despachava no aeroporto", conta Joanna.

Apesar de seu envolvimento com a comida local, Joanna foi para São Paulo, se formou em Publicidade e depois voltou para Belém. Passou então a "enxergar o potencial amazônico" e abriu uma loja virtual com produtos da região em 2009. O negócio não se sustentou, em parte por causa da dificuldade logística de entregas. Quando o pai adoeceu, ela foi ajudar a mãe no restaurante.

Só em 2014, com o sócio Paulo Reis, decidiu criar uma linha de produtos com marca própria e nasceu a Manioca, com o propósito de desenvolver uma relação com os fornecedores locais e ampliar a base de clientes.

Hoje a startup tem uma linha de produtos naturais (tucupi, farinhas e feijão-manteiguinha), uma de geleias de pimenta-de-cheiro, priprioca e taperebá e outra de temperos (molho de tucupi preto e tucupi temperado), além de doce de cupuaçu e licor de flor de jambu.

Em março foi lançada a granola feita com tapioca, castanha-do-pará, cumaru e cupuaçu. Para os próximos meses está prevista uma linha de temperos secos e, para 2021, uma linha de snacks de produtos como mandioca e castanhas com aromatizantes naturais, sem aditivos.

A startup fornece produtos para a maioria dos grandes restaurantes de comida brasileira de São Paulo e do Rio e tem entre seus clientes o chef Alex Atala, do D.O.M. Seus produtos também estão em redes como Pão de Açúcar e San Marché e lojas de produtos naturais. Tem oito funcionários e vem registrando crescimento de 40% a 60% ao ano. Em 2019 faturou R$ 900 mil.

Os produtos usados pela Manioca são adquiridos de produtores locais que são capacitados pela empresa, como o pessoal da agricultura familiar e extrativistas. "Estamos agora com um projeto de produção de mandioca pelo sistema agroflorestal (que combina o cultivo com o plantio de árvores), algo novo na Amazônia", informa Joanna.

Segundo ela, o processo tradicional de plantio da mandioca pode ser danoso para o meio ambiente, pois normalmente a área é queimada para preparar o terreno. "No momento estamos avaliando qual cultura vamos plantar com ela, o que ajudará o produtor, pois ele terá mais um produto para colher e vender."

A Manioca tem parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia e captou R$ 250 mil em recursos de investimentos de impacto em 2019 e neste ano. O foco do aporte é o desenvolvimento dos fornecedores e dos novos produtos. Hoje a startup recebe produtos de mais de 45 famílias que atuam em cooperativas e associações. Eles fornecem 16 itens, como mandioca, polpa de fruta, castanhas, cumaru, farinhas e tucupi.

"Já temos um cliente nos Estados Unidos, para quem fornecemos tucupi e tucupi preto, com envios trimestrais, e a ideia é expandir exportações, mas com calma", diz Joanna. A empresa tem pronta uma linha de molho de pimenta pensada para o mercado americano, mas, em razão da pandemia o lançamento foi adiado.

OESP, 23/08/2020, Economia, p. B1

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