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Manifestantes tentam impedir hidrelétricas no Vale do Ribeira

OESP, Vida, p. A14
08 de set de 2006

Manifestantes tentam impedir hidrelétricas no Vale do Ribeira
Alegam que projeto de Tijuco Alto teve impacto ambiental minimizado

Cristina Amorim

Ambientalistas e organizações sociais se reuniram ontem na cidade de Iguape, no litoral sul de São Paulo, para protestar contra a construção de hidrelétricas no Rio Ribeira, na divisa de Paraná e São Paulo. Os grupos pedem a suspensão dos planos, conduzidos pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim.

Há quatro projetos para o rio, três parados e um em curso: Tijuco Alto, atualmente sob avaliação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que analisa o relatório de impacto ambiental apresentado pela empresa.

A obra, a ser construída na região da cidade paranaense de Adrianópolis, na divida dos dois Estados, tem uma capacidade de 129 megawatts, energia que será empregada na fábrica da CBA no município paulista de Alumínio.

Os grupos - as organizações não-governamentais SOS Mata Atlântica, Instituto Socioambiental e Vid'água, o Movimento dos Ameaçados por Barragens, a Pastoral Fé e Ecologia e representantes de cinco quilombos - dizem que os impactos na população da região serão muito maiores do que a CBA calcula.

Há populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas nas margens do rio diretamente afetadas pelo projeto. "As comunidades mais tradicionais, especialmente na região de Adrianópolis e de Ribeira, não querem deixar suas casas e perder sua identidade cultural. Elas estão desesperadas e não sabem a quem recorrer", afirma Maria Lucia Ribeiro, da ONG SOS Mata Atlântica, que participou de uma excursão de seis dias pelo Ribeira, por terra e água.

De acordo com ela, moradores do quilombola Ivaporunduva, perto de Eldorado (SP), disseram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando ainda era candidato ao primeiro mandato, prometeu que as hidrelétricas não seriam construídas.

"Estivemos em Brasília na semana passada e pedimos uma audiência com o presidente para questioná-lo a respeito dessa promessa, mas ainda não nos encontramos com ele", conta Maria Lucia.

O Vale do Ribeira apresenta situações socioambientais e econômicas distintas em sua extensão. Enquanto algumas regiões foram bastante desmatadas, como um pedaço paranaense, outras guardam preciosidades da mata atlântica, restingas e manguezais, além de cavernas - como as do complexo Petar (SP) e outras ainda não estudadas.

Para a SOS Mata Atlântica, o plano das hidrelétricas não pode ser destrinchado em quatro, como aconteceu, uma vez que o impacto em um único ponto do rio é sentido em toda a bacia.

EXCESSOS

Ronaldo Luis Crusco, que coordenou o estudo de impacto ambiental para a empresa, enxerga excessos no movimento socioambiental. "A área alagada será relativamente pequena, de 5.180 hectares, e a hidrelétrica vai alimentar o sistema nacional de energia elétrica", diz .

Para Crusco, há também exagero desse mesmo grupo sobre o número de pessoas atingidas por Tijuco Alto e sobre o impacto econômico negativo nessas comunidades. "Eles falam de milhares de pessoas, mas não é o que nós levantamos na região", disse.

Segundo ele, "a CBA não pode ser acusada de desestruturar a economia da região. Houve êxodo rural no vale, mineradoras fecharam as portas e o setor de cítricos enfrenta uma crise histórica", diz. "Prevemos compensação ambiental e reassentamento de famílias afetadas em terras excedentes da CBA na região."

OESP, 08/09/2006, Vida, p. A14

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