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Manifestantes cobram fim da poluição na Baía de Guanabara

O Globo, Rio, p. 25
07 de Jun de 2015

Manifestantes cobram fim da poluição na Baía de Guanabara
Biomédica diz que água tem bactérias que resistem a antibióticos

Maíra Rubim

Praticantes de windsurf, stand up paddle e canoa polinésia se juntaram, ontem pela manhã, a um "apitaço" promovido por biólogos na Praia de Botafogo. A manifestação teve como objetivo cobrar a despoluição da Baía de Guanabara. Os atletas pediram melhores condições para a prática de esportes no local.
A manifestação foi marcada pelo biólogo Mário Moscatelli, que, sentado em uma vaso sanitário colocado sobre um pano preto que simulava uma língua negra na areia, convidava, com uma megafone, quem passava pelo local a se juntar ao protesto.
- Em 20 anos, foram gastos R$ 10 milhões com a Baía de Guanabara e ela ainda está completamente poluída. As autoridades prometeram mundos e fundos quando foi anunciado que as Olimpíadas 2016 seriam aqui. Agora, falta menos de um ano e nada mudou. Pessoas que não aguentam mais ver tanto dinheiro sendo investido e nada mudar resolveram fazer barulho para mostrar que essa situação não deve ser aceita - justificou o biólogo.
A microbiologista clínica e hospitalar Rosemary Vega apresentou aos participantes do "apitaço'' um estudo elaborado pelo Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que atesta os riscos para a saúde de quem entra em contato com a água Baía de Guanabara.
- Testes feitos há dois anos em diferentes pontos das praias de Botafogo e do Flamengo comprovam que aqui há bactérias muito resistentes. Tenho pacientes com essas bactérias, os quadros são graves. Os antibióticos que costumavam combatê- las hoje não funcionam mais - frisou Rosemary.
Além do despejo de lixo e esgoto, problemas como o não funcionamento de estações de tratamento foram citados por Moscatelli como fatores que contribuem para a poluição da Baía de Guanabara.
- Bacias hidrográficas foram transformadas em valões de lixo e de esgoto. Ao redor de toda a baía há estações de tratamento que não funcionam ou operam com a metade da capacidade prevista. Enquanto não tivermos políticas de estado, o caos vai continuar - afirmou Moscatelli.

O Globo, 07/06/2015, Rio, p. 25

http://oglobo.globo.com/rio/biologo-promove-apitaco-pela-recuperacao-da…

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