OESP, Agrícola, p. G7
25 de Fev de 2004
Manejo sustentável de ostra produz renda
Em Cananéia, catadores de ostras formam cooperativa e ganham mercado
Organizar-se em associações ou cooperativas é outra alternativa que vem ajudando a agregar valor aos produtos e aproximar o pequeno produtor do consumidor. Em Cananéia, litoral sul de São Paulo, a comunidade do bairro do Mandira vive da extração de ostras do mangue. Em 1994, os moradores formaram a Associação do Mandira. Depois de muitas reuniões, em 1998 instalaram a cooperativa. Hoje, a Cooperostras tem uma sede fixa e infra-estrutura para agregar valor às ostras - melhora da aparência, extração sustentável e embalagem especial -, a porta de entrada para o mercado na capital paulista.
Antes da criação da cooperativa, os produtores extraiam e vendiam as ostras indiscriminadamente. Hoje, a cooperativa trabalha dentro da filosofia da produção sustentável. "Fazemos o trabalho de engorda, repovoamos o mangue e só extraímos a ostra dentro da medida prevista pela lei ambiental, entre 5 e 10 centímetros", explica o cooperado Evaristo Mateus. Mas a maior vantagem, diz ele, foi sair da clandestinidade, além da valorização do produto. "Para atravessadores, o produtor vende a dúzia por menos de R$ 1,00. A cooperativa paga pelo menos R$ 1,70."
Mercado - O litoral é o principal mercado para a venda de ostras. Mas a queda da demanda na baixa temporada fez a cooperativa sair em busca de oportunidades na capital. A primeira conquista foi a inclusão no projeto Caras do Brasil do Pão de Açúcar. Desde agosto de 2003, as ostras da comunidade do Mandira, que são certificadas pelo Sistema de Inspeção Federal (SIF), ganharam espaço nas prateleiras de quatro lojas da rede na capital paulista. Para isso, os cooperados tiveram de investir. A ostra é extremamente perecível e sobrevive fora da água por apenas 5 dias. "Compramos dois carros climatizados para transportá-las", conta Mateus. "Mas valeu a pena. O mercado em São Paulo nos paga, em média, R$ 7,20 pela dúzia."
As entregas são feitas duas vezes por semana. "Fornecemos em média 50 dúzias semanais. Ainda é pouco. A expectativa é vender mil dúzias." O grande desafio, destaca Mateus, é acabar com os atravessadores e atrair mais produtores para a cooperativa. Para isso, porém, é necessário que o mercado cresça na capital. "Ainda não temos demanda suficiente para comprar as ostras de todos os produtores da região", lamenta. Em 2002, a cooperativa contava com 70 viveiros e 30 mil dúzias em estoque. Em 2003, fechou o ano com 100 viveiros e mais de 40 mil dúzias em estoque.
Processados - Em São José dos Pinhais, no Paraná, 40 produtores orgânicos certificados estão conseguindo escoar toda sua produção de hortaliças e ainda aumentaram consideravelmente seu faturamento depois que passaram a fornecer seus produtos para a processadora Rio de Una. "O faturamento bruto de um produtor padrão, por exemplo, que negociava na Ceasa ou no mercado livre subiu de R$ 2 mil para cerca de R$ 10 mil", afirma o presidente da empresa, Marco Giotto. "A gente compra a produção desses agricultores e agrega valor, fazendo seleção, lavagem, higienização e embalagem, mas não há nehum processo de industrialização."
O agricultor destaca Giotto, além de ter seu produto mais valorizado, com assistência técnica oferecida pela processadora. Segundo ele, a maioria dos produtores conseguiu melhorar em de 20% a produtividade da lavoura e ainda tem certeza de escoar 100% da produção. Estamos no mercado há 6 anos e tivemos um número de desistência mínimo." Além dos 40 produtores, a empresa emprega 160 funcionários. A Rio de Una também faz parte do Clube dos Produtores do Paraná e fornece para o Sul do País e São Paulo. (N.S.)
Cooperostras (0--13) 3851-8339; Rio de Una Alimentos,(0 41) 634-8854
OESP, 25/02/2004, Agrícola, p. G7
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