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Mancha de óleo em Campos dobra de tamanho

O Globo, Economia, p. 24
15 de Nov de 2011

Mancha de óleo em Campos dobra de tamanho
Extensão atinge 163 km. ANP afirma que Chevron é "inteiramente responsável pela contenção do vazamento"

Ramona Ordoñez e Catarina Alencastro

BRASÍLIA e RIO. O governo está preocupado com o vazamento de óleo no campo de Frade, na Bacia de Campos, que ainda não foi contido e mais que dobrou de tamanho, formando agora uma mancha de 163 quilômetros quadrados (km2). A informação foi divulgada ontem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), citando dados da petrolífera americana Chevron. A ANP afirmou ainda que a empresa "é inteiramente responsável pela contenção do vazamento". Embora a vazão não seja grande, a fonte do vazamento é no fundo do mar e o petróleo vem se espalhando continuamente. Ou seja, diariamente o volume de óleo no oceano aumenta.
A ANP informou ainda que aprovou no último dia 13 o plano de abandono de um poço que estava sendo perfurado pela Chevron no campo de Frade, que teria provocado as exsudações (vazamento de bolhas de petróleo do solo). O pedido para abandonar o poço foi feito pela própria petrolífera, que já iniciou os trabalhos. Com isso, a ANP acredita que o vazamento será contido nos próximos dias.
Governo teme prejuízo para baleias; empresa nega
A Chevron informou que as investigações sobre as causas do vazamento, que começou há cinco dias, avançaram.
Quanto à mancha de óleo, a empresa se limitou a informar que continua com um volume de óleo estimado entre 404 e pouco mais de 650 barris. A ANP, no entanto, estima que o vazamento esteja em torno de 200 a 330 barris por dia. A mancha, situada a 120 quilômetros da costa de Campos, estaria se afastando em direção ao Sudeste, para alto mar.
Segundo o governo, embora o acidente tenha ocorrido longe da costa e de ecossistemas ambientalmente sensíveis, os prejuízos à fauna ainda são incalculáveis. Neste período, por exemplo, as baleias jubartes retornam ao Polo Sul e podem ser atingidas. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, diz que a tendência é os animais se desviarem da mancha, mas que é preciso monitorar.
- Neste momento as jubartes estão se deslocando de Abrolhos (BA) para o Sul do país. A tendência é que as baleias percebam a mancha de óleo e se afastem, desviem dela. Mas temos que monitorar - avalia Rômulo Mello, presidente do ICMBio.
A Chevron, por sua vez, nega que o óleo esteja atingindo baleias ou qualquer outra espécie de animais marinhos.
Há 18 navios na área,
de várias empresas
A operação de abandono do poço inclui a concretagem deste, que já foi iniciada. A Chevron ressaltou ter o apoio de sua equipe mundial, que atua em casos de emergências ambientais, além de estar trabalhando em conjunto com os órgãos governamentais. Segundo a ANP, 18 navios estão na área: oito da própria Chevron e outros dez cedidos pela Petrobras, Statoil, BP, Repsol e Shell.
Quanto à conduta da Chevron, o governo afirma que está sendo informado detalhadamente de todos os desdobramentos, que conferem com a avaliação feita in loco pela área ambiental. O acidente coincide com as discussões sobre uma mudança na distribuição dos royalties do petróleo. Esta prejudicaria o Estado do Rio, que sempre é prejudicado por vazamentos.

O Globo, 15/11/2011, Economia, p. 24

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