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Malária está matando os Pirahã, dizem Indígenas

Coiab - www.coiab.com.br
30 de jun de 2008

Manaus - Amazonas (Brasil) - Oito crianças e um adulto do povo indígena Pirahã morreram, de janeiro a junho deste ano, provavelmente vitimados por malária. A falta de assistência às aldeias localizadas ao longo dos rios Maici e Ipixuna, no município de Humaitá (distante de Manaus cerca de 450 quilômetros em linha reta), na região do rio Madeira, tem contribuído para o agravamento das doenças, reclamam os indígenas.

De acordo com José Ricardo Torá e Roberto Teixeira Reis Mura, membros do Conselho Distrital de Saúde Indígena, as mortes aconteceram em Santa Cruz, Coatá e Porção, no Rio Maici; Barrigudo, no rio Ipixuna, e decorrem da falta de assistência da equipe contratada pela Prefeitura Municipal de Manicoré, responsável pelo atendimento àquelas aldeias.

"Ninguém sabe se a equipe não vai para a área por falta de recursos ou se esses recursos são desviados", suspeita o indígena Júnior Tenharim. "A equipe não vai na área há muito tempo e, quando eles vão, fazem trabalho "relâmpago": entram em um dia e saem no outro", reclama ele acrescentando que "sem a presença de profissionais de saúde, outras mortes poderão acontecer".

Os Pirahã que vivem nas aldeias do baixo rio Maici e Ipixuna somam 230 indivíduos. As mortes ao longo deste ano afetaram 3,9% da população.

Documento - Os conselheiros de saúde encaminharam documento à Coordenação Regional da Fundação Nacional de Saúde - Funasa, relatando que foram diagnosticados casos de malária, tuberculose, hanseníase, diarréias, desnutrição e outras doenças. Segundo eles, um total de 14 indígenas teriam morrido naquela região, somando os nove Pirahã e cinco de outros povos indígenas da localidade.

O coordenador regional da Funasa, Narciso Cardoso Barbosa, informou que o órgão está fazendo levantamento dos óbitos ocorridos nas áreas indígenas para identificar as causas. "Sabemos que aquela região (Humaitá/Manicoré) é endêmica de malária", disse Narciso. Ele informou que a Funasa "está buscando estratégia de forma cooperada com a Superintendência Estadual de Saúde - Susam, Fundação de Vigilância em Saúde - FVS e com a Prefeitura de Municipal de Manicoré. A Funasa sozinha encontra dificuldades para atuar", disse ele, acrescentando que o atendimento é precário devido a "dificuldade de acesso" às aldeias.

Quando à ausência da equipe na área, o Coordenador da Funasa informou que está agendando uma reunião com a FVS e a Prefeitura Municipal com intenção é fazer um encontro na cidade de Manicoré para que "os órgãos possam ter um diagnóstico com relação a essa situação e tentar intensificar as ações. É preciso que as equipes estejam constantemente em área", disse.

No município de Manicoré e adjacências existem 35 comunidades indígenas dos povos Tenharim, Parintintim, Mura, Torá, Apurinã, Pirahã, Mundurucu e Matanawe, formando uma população de mais de 2.500 indivíduos.

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