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Mais um ano para um acordo climático

O Globo, Ciência, p. 26
06 de Nov de 2009

Mais um ano para um acordo climático
Delegados em Barcelona acham pouco provável um documento em Copenhague

Um tratado global da ONU sobre clima pode levar um ano além do prazo limite, o fim deste ano, para ser alcançado, segundo informaram ontem delegados envolvidos nas negociações climáticas para a reunião de Copenhague, em dezembro. O objetivo da cúpula é estabelecer um acordo global de redução de emissões de gases do efeito estufa que substitua o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.

Representantes de 175 países reunidos em Barcelona, no encontro da ONU - o último antes do esperado acordo de dezembro, em Copenhague -, se mostraram céticos em relação à finalização de um texto que estipule metas a serem obrigatoriamente cumpridas pelos países.

Líderes de várias nações têm dito nos últimos dias que a conferência de Copenhague deve chegar a um acordo de comprometimento político, mas que o tempo é muito curto para se alcançar um entendimento sobre um documento com força de lei. Os delegados debateram o tempo extra que seria necessário para se firmar um acordo deste tipo. O consenso é de que um ano extra seria um tempo razoável para a negociação.

- Há ainda muito trabalho a ser feito - disse Artur Runge-Metzger, diretor da delegação da Comissão Europeia, admitindo que mais tempo será necessário para a elaboração de um acordo mais abrangente. - O endurecimento do texto, para que tivesse caráter de obrigatoriedade legal, deveria ter sido feito bem mais cedo, há três meses, seis meses.
Legislação americana está emperrada no Senado
As negociações para a definição de um novo pacto sobre o clima começaram em Bali, na Indonésia, em dezembro de 2007, quando ficou estabelecido o prazo de dois anos para a sua conclusão.

Uma das hipóteses a serem discutidas seria a ampliação do prazo de vigência do Protocolo de Kioto.

Segundo John Ashe, que coordena essas negociações, se um acordo não for alcançado em dezembro - posição que ele defende -, os negociadores deveriam se concentrar em consolidar as questões em pauta para o encontro seguinte, em Bonn, na Alemanha, provavelmente em maio.

- Já fizemos isso antes e podemos fazer de novo - afirmou.

Para outros delegados, no entanto, um acordo desse porte poderia levar ainda mais tempo para ser fechado, principalmente porque a legislação dos EUA para a redução das emissões de CO2 não será aprovada este ano. Os EUA são os maiores emissores históricos de gases-estufa. Se eles não fizerem parte do acordo e não se comprometerem a cortes razoáveis, dificilmente haverá qualquer documento factível.

Ontem, um comitê do Senado americano votou a favor do projeto dos democratas sobre o clima, fazendo a legislação avançar um pouco, mas ainda há um longo caminho até a aprovação final.

O projeto de lei apresentado pelos democratas propõe um corte de 20% nas emissões de gases do efeito estufa das indústrias até 2020, tendo como referência os números de 2005. Os valores são pouco ambiciosos para a maioria dos especialistas.

Cientistas já afirmaram que, para limitar a elevação das temperaturas globais a 2 graus Celsius - o limite considerado aceitável para o planeta não vivenciar alterações climáticas catastróficas -, as nações desenvolvidas deveriam cortar suas emissões em 40%.

Mesmo assim, o projeto americano conta com forte oposição dos republicanos, que chegaram a organizar um boicote à legislação.
O senador John Kerry lidera uma iniciativa, com alguns republicanos, para a elaboração de um texto conjunto que provavelmente não irá à votação no Senado antes do ano que vem, na melhor das hipóteses.

O Globo, 06/11/2009, Ciência, p. 26

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