OESP, Negocios, p.B16
07 de Dez de 2004
Mais empresas no País praticam ação social
Estudo do Ipea revela que o avanço é maior no Nordeste, onde houve aumento de 35 % em cinco anos
Vânia Cristino
Brasília
Cresceu o número de empresas que desenvolvem trabalhos na área social no País. E o que mostra a primeira etapa da Pesquisa Ação Social das Empresas, realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (Ipea), divulgada ontem. Em comparação com a pesquisa anterior, apresentada em 1999, o incremento foi expressivo no Nordeste, onde a participação das empresas saltou 35%, passando de 55% para 74%. No Sudeste, o aumento foi mais discreto, com 71% das empresas declarando que desenvolviam alguma atividade de atendimento a comunidades carentes. O porcentual anterior era de 67%.
O Ipea considera como ação social qualquer atividade de caráter voluntário nas áreas de assistência social, alimentação, saúde e educação para o atendimento de comunidades carentes. Segundo a coordenadora-geral da pesquisa, Anna Maria Peliano, nessa primeira etapa o trabalho foi feito por telefone e é quantitativo, para fazer um mapeamento das ações no País.
Foram consultadas 420 mil empresas privadas com um ou mais empregados no Sudeste e 82 mil no Nordeste. No mapeamento, foi constatada a elevação da participação nas ações sociais do setor agrícola, tanto no Sudeste quanto no Nordeste. De uma maneira geral, quem mais investiu em trabalho de caráter voluntário foi a pequena empresa. Nas empresas com 1 a 10 empregados, que representam a metade do universo pesquisado, a participação social cresceu 15% no Sudeste e 29% no Nordeste.
Anna Maria explicou que essa nova pesquisa não é perfeitamente comparável com a divulgada em 2000. Naquela época, a pesquisa foi feita em uma única etapa e em todo o País. Agora, o Ipea está desenvolvendo o trabalho pela segunda vez, só que em duas etapas e apenas nas regiões Sudeste e Nordeste, que concentram 70% das empresas do País. Na segunda etapa, que já está em andamento, mas só será divulgada no ano que vem, as empresas contatadas por telefone responderão um questionário mais abrangente, com perguntas sobre quais são as ações realizadas e a quem elas beneficiam, bem como a dimensão do gasto e participação dos funcionários.
Pelos dados da pesquisa em relação à região Sudeste, Minas Gerais continua liderando as atividades sociais. No ano passado, 81% das empresas mineiras declararam ter realizado, voluntariamente, alguma atividade social. No Nordeste, a Bahia permanece à frente com 76%, mas o crescimento expressivo se deu no Ceará, onde a participação das empresas no atendimento a comunidades carentes saltou de 45% na pesquisa anterior para 74% na primeira etapa da nova pesquisa. Outro destaque do Nordeste é a construção civil. Pelas informações do setor, a ação social passou a ser desenvolvida por 75% das empresas. A participação anterior era de 31%.
De acordo com Anna Maria Peliano, pouco mais de um quarto das empresas não desenvolvem nenhuma atividade e, destas, cerca de 10% declararam que não têm intenção de fazer nada nessa área, jogando o problema no colo do governo. Os principais motivos apontados pelas empresas para não investir no social são a falta de dinheiro e a ausência de incentivo governamental.
OESP, 07/12/2004, p. B16
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