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Mais empresas desistem de Belo Monte

OESP, Economia, p. B1
25 de Mai de 2011

Mais empresas desistem de Belo Monte
Galvão Engenharia, Serveng e Cetenco pedem para sair do Consórcio Norte Energia, responsável pela usina; Mendes Junior deve ser a próxima

Renée Pereira

Quase todas as empresas que integraram o consórcio vencedor do leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, em abril do ano passado, devem deixar a sociedade. De sexta-feira até ontem, três empresas privadas fizeram pedido formal para sair do grupo investidor Norte Energia: Galvão Engenharia, Serveng e Cetenco. A Contern, do Grupo Bertin, fará o comunicado nos próximos dias.
A J.Malucelli Construtora não fez nenhuma formalização ao consórcio, mas também está disposta a se desfazer de sua participação se houver algum interessado. "O negócio não está no DNA da construtora", afirma o presidente do Grupo Malucelli, Joel Malucelli. A empresa tem participação em Belo Monte por meio de duas subsidiárias: a J.Malucelli Construtora e a J.Malucelli Energia. A intenção, segundo o presidente do grupo, é continuar no projeto apenas por meio da empresa de eletricidade.
A construtora Mendes Júnior é outra sócia que deixará o consórcio. Mas, nesse caso, a desistência se deve a uma pendência da empresa com o Banco do Brasil (que não poderia financiar o consórcio). Para sair da sociedade, no entanto, as empresas precisam encontrar um comprador para suas ações. Foi o que ocorreu com a Gaia Energia, do Grupo Bertin, cuja fatia (9%) no projeto será absorvida pela Vale.
Cogita-se no mercado que o fundo de pensão Funcef (dos funcionários da Caixa) e a Neoenergia (Iberdrola, Previ e Banco do Brasil) poderiam adquirir a fatia desses novos desistentes. Juntas, Galvão, Serveng, Cetenco, Contern e Mendes Júnior, têm 6,25% de Belo Monte. A J.Malucelli Construtora tem 1% de participação. No início, essas empresas respondiam por 29,98% do consórcio, que também contava com Queiroz Galvão (10,02%), Gaia (10,02%) e a estatal Chesf (49,98%).
Esse grupo foi formado pelo governo federal às vésperas do leilão e surpreendeu todo o mercado, já que as empresas eram de porte menor comparado às gigantes Andrade Gutierrez, Odebrecht e Camargo Correia. Sem as "desconhecidas", o leilão de Belo Monte não teria tido competitividade, já que havia apenas mais um consórcio interessado.
Mas, logo após a disputa, a situação começou a mudar. De protagonistas, essas empresas viraram figurantes. Suas participações foram reduzidas e o poder dentro do grupo limitado a obedecer às ordens de Valter Cardeal, o diretor da Eletrobrás que comanda as negociações ligadas ao projeto de Belo Monte. O grupo Eletrobrás continuou com 49,98% do projeto. Mas outros sócios entraram no negócio: Petros (10%); Funcef (2,5%); um fundo de investimento da Caixa (5%); e Neoenergia, 10%.
Com participação pulverizada, sem voz dentro do grupo e com obrigações financeiras pesadas a cumprir, as empresas decidiram se desfazer de suas posições, afirmou um dirigente, que prefere não se identificar.
Bertin. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu prazo até 6 de junho para que o Grupo Bertin regularize a situação das térmicas de Maracanaú e Borborema, no Nordeste, com a Chesf. Caso a regularização não ocorra até a data, serão revogadas as autorizações do Ministério de Minas e Energia para que as usinas atuem como produtores independentes de energia.

OESP, 25/05/2011, Economia, p. B1

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110525/not_imp723683,0.php

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