O Globo, Amanhã, p. 7
27 de Nov de 2012
Mais do que carbono
Florestas devem ser reconhecidas e protegidas por sua importância ambiental, social e econômica, afirma relatório assinado por 60 especialistas, que será discutido em Doha
CLÁUDIO MOTTA
claudio.motta@oglobo.com.br
Muitas vezes a conta é simples demais. De um lado da balança, a quantidade de emissões de CO2. Do outro, o número de árvores para compensar o impacto. Nesta equação, ficam de fora os aspectos ambientais, sociais e econômicos que a biodiversidade das florestas consegue reunir. Este alerta é de 60 especialistas, muitos de renome internacional, que publicaram este mês o relatório "Entendendo as relações entre biodiversidade, carbono, florestas e pessoas: a chave para atingir os objetivos do REDD+". O estudo será discutido na COP-18, em Doha.
Organizado pela União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (Iufro, sigla em inglês), o trabalho sugere que os projetos de reflorestamento levem em consideração não apenas o estoque de carbono, que fica guardado na biomassa das plantas. Os especialistas mostram que a biodiversidade e o uso sustentável das áreas verdes são elementos fundamentais para a capacidade de uma floresta absorver os gases-estufa. Mesmo as ações de combate ao desmatamento precisam levar em conta as iniciativas que consigam garantir a biodiversidade.
A pesquisa está sendo considerada a análise mais abrangente já publicada da gestão da biodiversidade das florestas em relação à mitigação dos gases do efeito estufa, levando em consideração as metas e os mecanismos previsto no REDD+, que estimula o reflorestamento, sobretudo em países em desenvolvimento, e tem o objetivo de reduzir as emissões provocadas pelas queimadas.
Para Alexandre Buck, diretor-executivo da Iufro, os negociadores envolvidos com a missão de encontrar mecanismos de enfrentamento ao aquecimento global devem levar em consideração o relatório:
- A pesquisa foi publicada num momento crucial, no qual os negociadores do clima e os interessados em preservação florestal precisam refletir sobre as formas possíveis de avançar com acordos de REDD+.
REDD é a sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal.
Ela nasceu em 2003 na Convenção do Clima das Nações Unidas e ganhou o sinal + quatro anos depois, na Conferência das Partes em Bali (COP-13). Na ocasião, o conceito foi ampliado e passou a abranger a conservação florestal, uso sustentável e aumento dos estoques de carbono.
O Globo, 27/11/2012, Amanhã, p. 7
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