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Mais de 30% dos municípios tiveram doenças associadas ao saneamento básico

O Globo, Sociedade, p. 27
20 de set de 2018

Mais de 30% dos municípios tiveram doenças associadas ao saneamento básico
Segundo o IBGE, a maioria das cidades não tinha, no ano passado, uma política sobre o tema, registrando endemias e epidemias de dengue, zika, chicungunha, diarreia e verminoses

ANA PAULA BLOWER
apaula.blower@oglobo.com.br

Um dos pilares principais da saúde pública, o saneamento básico não é regra no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem revelaram que, no ano passado, 34,7% dos municípios do país registraram uma epidemia ou endemia relacionada ao saneamento. Como pano de fundo dessa realidade, o IBGE mostra que, apesar de um crescimento no número de instrumentos de gestão, apenas 38,2% das cidades têm uma política municipal sobre o tema.

Com relação aos Planos, que são estudos mais específicos, com metas e objetivos, menos da metade (41,5%) conta com um. As informações são do Suplemento de Saneamento da Pesquisa de Informações Básicas Municipais - Munic 2017 e contemplam 5.570 municípios do país. Nesse contexto, o levantamento registrou que, nos últimos 12 meses anteriores à entrevista, 26,9% de todos os municípios registraram epidemias ou endemias de dengue; 23,1%, de diarreia; 17,2%, de verminoses, entre outras.

A proporção de municípios que declararam ter sofrido endemia ou epidemia de dengue, zika e chicu ng unha foi maior nas regiões Nordeste e Norte. A doença mais citada no Brasil foi adengue, com 1.501 municípios reportando endemias ou epidemias. O IBGE explica que se considera endêmica uma doença que existe, constante mente, em determinado lugar, independentemente do número de indivíduos por ela atacados. Epidêmica, por sua vez,é uma doença que surge rapidamente em um lugar e acomete grande número de pessoas.

Adengue, azika e a chicungunha são transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água parada. Tais doenças estão, portanto, fortemente associadas aos serviços de saneamento. A oferta irregular de água, por exemplo, faz com que as pessoas a estoquem em reservatórios, que, muitas vezes, servem de local de reprodução dos mosquitos. O acúmulo de lixo nos domicílio senas ruas, decorrente da coleta irregular, favorece, por sua vez, o acúmulo das águas das chuvas, e também é um fator de risco.

- Esse resultado não é necessariamente por falta de saneamento. Talvez seja falta de aprimoramento do sistema. Outra coisa que é preciso ressaltar é que não é só a gestão pública, existe uma parte do cidadão nisso - afirma Vânia Pacheco, gerente da pesquisa de informações básicas municipais do IBGE.

SUBNOTIFICAÇÃO

O pesquisador da Fiocruz Minas Léo Heller destaca que a situação do saneamento no Brasil está longe da ideal. Então, diante disso, é esperado que doenças associadas continuem a ocorrer.

-É difícil afirmar que uma doença tenha acontecido por uma causa única, mas o quadro é compatível com o das condições de saneamento no país. A grande questão é: se melhoramos a condição de saneamento, a probabilidade de ocorrência dessas doenças cai muito - afirma ele, que acrescenta que o número de casos poderia ser maior. - Todas têm uma certa subnotificação, diarreia e verminose particularmente.

Em relação a 2011, o Brasil registrou aumento de 35,4% no número de cidades com políticas municipais de saneamento, mas, ainda assim, está longe deter uma realidade adequada. O suplemento mostra o crescimento de políticas a partir de 2010, quando foi publicado o decreto 7.217, que regulamenta a Lei Federal do Saneamento Básico, de 2007.

Para Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, os dados do IBGE "dão luz"à dificuldade que é implementar tais planejamentos em todos os municípios.

-Nossa preocupação vai além: qual a qualidade dessas políticas e quais medidas estão sendo implementadas, virando projetos e obras. Nos preocupa avaliar o nível de implementação desses planos. Além da existência do plano, o importante é fazer água e esgoto chegarem na casado cidadão. Ter apolítica e plano é só o pontapé inicial -diz Édison.

O Globo, 20/09/2018, Sociedade, p. 27

https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/mais-de-30-dos-municipios-do-p…

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