OESP, Vida, p. A22
26 de Jul de 2008
Mais 47 pingüins são encontrados no litoral do RJ
Zoológico de Niterói recebeu 250 aves desde junho e está superlotado
Clarissa Thomé
A temporada de pingüins na costa fluminense não dá sinais de arrefecer. Ontem, o Zoológico de Niterói, que funciona como espécie de "hospital de referência" para as aves, recebeu 47 animais encontrados na costa de Macaé, norte fluminense. Agora, o local está superlotado: tem 193 pingüins, que consomem 850 kg de peixe por semana.
Desde o mês passado, o zoológico recebeu 250 aves. O recorde havia sido em 2005, quando em todo o inverno chegaram 230. Apenas 30% se recuperaram à época. Esse ano, o índice está em 40%.
"Esse problema tem a ver com as mudanças climáticas. As correntes frias estão chegando cada vez mais longe. Os pingüins mais jovens saem para procurar cardume e não conseguem achar o caminho de volta", explica Giselda Candiotto, presidente do ZooNit.
O ZooNit agora tem de resolver uma questão de logística. As aves, depois de recuperarem o peso e voltarem a se alimentar sozinhas, têm de ser levadas para o Rio Grande (RS), onde passam por nova triagem no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos e são devolvidas ao mar.
Esse transporte já foi feito pela FAB em outras temporadas. Mas o vôo que segue para a Antártida está lotado com equipamentos e pesquisadores que vão trabalhar na Estação Antártica Comandante Ferraz. "Vou entrar em contato com o Centro de Hidrografia da Marinha e pedir que os pingüins sejam levados de navio. São cinco dias de viagem, em tanque salinizado, acompanhados por nossos biólogos. Se for preciso, peço patrocínio para o combustível. Mas é a única chance de os animais serem salvos", disse Giselda.
OESP, 26/07/2008, Vida, p. A22
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