OESP, Economia, p. B16
03 de Set de 2004
A maior hidrelétrica do mundo terá ajuda brasileira
Eletrobrás vai cooperar na construção e operação da usina chinesa de Três Gargantas
Paulo Vicentini
Especial para o Estado
A Eletrobrás assinou ontem um acordo de cooperação técnica com a China Yang-tse Three Gorges Project Development Corporation - responsável pela construção e operação da Hidrelétrica de Três Gargantas -, para troca de experiências com Itaipu Binacional.
A parceria foi fechada pelo presidente da estatal brasileira, Silas Rondeau, que está na China participando do seminário 'O Grupo Eletrobrás, Suas Potencialidades e Oportunidades de Negócios Brasil-China'.
Rondeau esteve na usina, localizada no Rio Yang-tse, e visitou projetos de reassentamento para parte das cerca de 1 milhão de pessoas que estão se mudando das áreas que serão atingidas pelo reservatório da hidrelétrica.
Segundo a Eletrobrás, "as pessoas serão assistidas por projetos na área de habitação, urbanização, saúde, educação e criação de emprego e renda".
Maior projeto hidrelétrico do mundo, a Usina de Três Gargantas terá capacidade instalada de 22,5 mil megawatts (MW), quase duas vezes a potência de Itaipu. Já estão em funcionamento 12 turbinas, num total de 8,4 mil MW, e a obra está em pleno andamento.
A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, também está em Pequim, onde vai se reunir com a vice-ministra de Comércio da China, Ma Xiuhong, e com o presidente do Eximbank da China e com autoridades da Sinopec, a maior refinaria de petróleo da China e parceira da Petrobrás. Ela está participando da 'Expo Brasil China - Um Salto Necessário', aberta esta semana no Centro Internacional de Exposições de Pequim.
Aquecimento - Os produtos de maior valor agregado, a tecnologia e o potencial no setor de serviços de 82 empresas brasileiras são a atração da feira. O setor de energia, impulsionado pela presença de Dilma e das gigantes Petrobrás e Eletrobrás, é o que mais chama a atenção dos chineses.
O superaquecimento da economia na China, que cresceu 9,5% no primeiro semestre, causou cerca de 7 mil cortes de fornecimento em todo o país no período. Para Rondeau, a "atual crise energética enfrentada pela China oferece um mercado de oportunidades concretas para a atuação da empresa e da colocação de seus principais produtos".
No seminário, o presidente da Eletrobrás falou da importância e da alta tecnologia da estatal brasileira e de suas subsidiárias quando se trata da construção de barragens, linhas de alta tensão, monitoramento, geração e transmissão de energia. "Podemos atender à grande e crescente demanda da China e do mercado mundial", explicou Rondeau.
Para ele, as melhores oportunidades para a Eletrobrás na China concentram-se na criação de redes de transmissão e nos softwares.
Segundo Rondeau, a China ainda não possui uma rede interligada, abrindo espaço para os softwares desenvolvidos pelo Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel) como o Sistema Aberto de Gerenciamento Elétrico (Sage) e o New Wave, especialmente desenvolvido para países de dimensões continentais como Brasil, China e Rússia.
Álcool - O presidente da Eletrobrás também destacou a possibilidade dos chineses participarem dos investimentos em obras de infra-estrutura do setor energético no Brasil. Para tanto, Rondeau pôs em evidência durante o seminário os projetos relativos à Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, cujo valor está orçado em US$ 3 bilhões.
O presidente da Eletrobrás também falou sobre os estudos que cercam a construção de uma hidrelétrica do Rio Madeira e da importância geopolítica desta obra.
Além de aumentar a capacidade instalada de energia no Brasil, a obra se destinaria a abertura de uma rota fluvial para a Bolívia e para o Peru se comunicarem com o Oceano Atlântico, assim como a concretização de um velho sonho brasileiro: a formação de um sistema hidroviário que abre as portas do interior do País para o Oceano Pacífico.
Segundo o presidente da Eletrobrás, o sistema permitirá uma redução de 2 mil quilômetros na distância entre Brasil e China, diminuindo os custos de transporte para o escoamento de grãos com destino à China.
Testes - A agência de notícias Xinhua abriu espaço ontem para uma reportagem sobre a alternativa energética e ambiental proporcionada pelo álcool brasileiro ao mercado chinês. A reportagem aponta que "algumas montadoras chinesas estão testando uma mistura de 10% de álcool e que podem aumentar o índice passo a passo, até chegar a 100%".
Ainda segundo a agência, após três anos de testes, oito províncias, entre elas a de Henan e Anhui (centro da China) e do Helongjiang e de Jilin (nordeste do país) já estão empregando álcool na gasolina. Citando o especialista brasileiro Roberto da Fonseca, a Xinhua afirma que a GM e a Volkswagen já mostraram grande interesse pelo produto e por eventuais adaptações na China.
Com o crescimento da frota circulante no país, a China deixou de ser uma grande exportadora de gasolina e passou a consumir, anualmente, cerca de 45 bilhões de litros.
Os analistas acreditam que, em breve, o país se tornará também uma grande importadora mundial do combustível e enfrentará grandes problemas ambientais nos centros urbanos. Com isso, estará aberto um espaço para a venda de 2,25 milhões de toneladas de álcool brasileiro por ano.
OESP, 03/09/2004, Economia, p. B16
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