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Magnata dos EUA ergue prédio verde em SP

OESP, Metrópole, p. C12
29 de Out de 2006

Magnata dos EUA ergue prédio verde em SP
Tishman Speyer busca certificado nunca concedido a projetos no País

Flavio Lobo

Por trás da maior transação imobiliária da história americana, fechada no dia 17, está a experiência adquirida pela Tishman Speyer no mercado paulistano. Uma das maiores do mundo no setor, a empresa que acaba de anunciar investimento de U$ 5,4 bilhões na compra de um corredor de 110 prédios com 11,2 mil apartamentos em Manhattan, Nova York, começou a atuar no mercado residencial nos últimos anos, ao lançar condomínios de luxo em São Paulo.

A importância do know-how acumulado pela Tishman Speyer no Brasil foi ressaltada pelo segundo homem na hierarquia da empresa, Rob Speyer, em comunicado interno enviado após a assinatura do contrato. 'A transação cria uma oportunidade histórica para a empresa estender sua atuação ao mercado residencial de Nova York, seguindo a trilha do nosso trabalho no Brasil e em São Francisco', disse o filho do magnata Jerry Speyer, presidente da companhia.

O Brasil é o segundo maior mercado para a Tishman em termos de área total dos empreendimentos, atrás apenas dos EUA. 'Só não estamos em segundo em matéria de valor dos empreendimentos porque os imóveis em países europeus, por exemplo, ainda são mais valorizados', diz o presidente da empresa no País, Daniel Citron.

Com R$ 1,5 bilhão investido no mercado brasileiro, a Tishman tem duas grandes obras em andamento no País. O Rochaverá, em São Paulo, e o Ventura, no Rio, complexos de escritórios que deverão consumir, respectivamente, investimentos de R$ 700 milhões e R$ 450 milhões. A primeira das quatro torres do Rochaverá tem inauguração prevista para setembro de 2007, enquanto a primeira das duas do Ventura deve ficar pronta em maio de 2008.

Situado na região da Avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul, o Rochaverá é anunciado pela Tishman como o primeiro empreendimento da América do Sul a receber o certificado Green Building, selo de qualidade baseado em critérios de sustentabilidade socioambiental. A empresa espera receber o certificado, emitido pela organização americana U.S. Green Building Council, até o término da primeira torre.

O selo segue um sistema de pontuação baseado em quatro exigências básicas: redução do consumo energético e dos custos de manutenção; diminuição do uso de recursos ambientais não renováveis; melhora da qualidade do ar no interior dos edifícios; e medidas que contribuam para a melhora da saúde e da qualidade de vida das pessoas.

Quando terminado, o Rochaverá terá 228 mil metros quadrados de área construída, 120 mil m2 de escritórios, abrigará cerca de 12 mil pessoas e será um dos maiores complexos empresariais de São Paulo. O desenho arrojado, assinado pelo escritório brasileiro Aflalo & Gasperini Arquitetos, deve garantir um lugar entre ícones da cidade. Posto já alcançado pela Torre Norte, o primeiro empreendimento da Tishman no Brasil, de 1999.

Hoje locado por empresas de tecnologia, a Torre Norte trouxe inovações ao mercado brasileiro, como uma central de geração de energia a gás, capaz de abastecer uma cidade de 30 mil pessoas. 'Todo dia, no horário de pico do consumo, das 17h30 às 20h30, a energia consumida é gerada aqui', conta o administrador predial da Torre Norte, Amadeu Fábio Júnior.

Rochaverá também terá uma central de energia capaz de atender à demanda do complexo. 'A central foi instalada e é mantida por uma empresa terceirizada, que só cobra pela energia consumida', conta Amadeu. Como o preço cobrado é menor que o da Eletropaulo durante o horário de pico, os locatários saem ganhando.

Os preços para locação na Torre Norte estão entre os mais altos da cidade, de R$ 70 a R$ 80 mensais por m2, sendo que a área média alocada fica em torno de 3 mil m2, o equivalente à metade de um andar. Segundo a assessoria da Tishman, no Rochaverá, os valores devem ficar na mesma faixa.

O urbanista Jorge Wilheim destaca a beleza dos projetos da Tishman. 'Ambos são de autoria de bons arquitetos, que realizaram belos trabalhos.'

O urbanista Renato Cymbalista, do Instituto Pólis, elogia a preocupação com sustentabilidade, mas faz ressalvas. 'É mais um passo no processo de concentração de empregos numa mesma região. Faltam moradias de interesse social.'

OESP, 29/10/2006, Metrópole, p. C12

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