Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Najla Passos
16 de Jul de 2002
Crime organizado conta com a colaboração de servidores públicos para praticar extração clandestina
A extração ilegal de madeira nas reservas indígenas do norte de Mato Grosso é controlada pelo crime organizado e conta com a colaboração de membros de várias esferas do poder público.
O alerta parte do procurador da República em Brasília, Guilherme Shelb, que esteve ontem em Cuiabá apresentando os primeiros resultados da Operação Gnomo.
Segundo ele, a operação foi desencadeada nos primeiros dias de junho, envolvendo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE), Polícia Federal (PF) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Só em Mato Grosso, na área dos índios cintas-largas, foram apreendidos 30 mil metros cúbicos de madeira ilegal. Além disso, um madeireiro foi preso em flagrante e outros dois estão com as prisões preventivas decretadas. Funcionários do Ibama e Fundação Nacional do Índio (Funai) serão afastados dos cargos e responderão a processos, por suspeita de envolvimento na extração de madeira e corrompimento dos índios.
O procurador admite ainda que grandes madeireiros e políticos do Estado possam estar envolvidos com estas organizações criminosas. "Os nomes ainda serão mantidos em sigilo para não comprometer as investigações", avisa.
Shelb informa que 15 agentes e um delegado da PF permanecem na área, ao lado de outros 15 funcionários do Ibama, requisitados em outros estados e sem vínculo com o esquema de corrupção que impera na área.
MPF não vai tolerar os empecilhos
O procurador da República Guilherme Shelb disse que o MPF não irá tolerar qualquer atitude desempenhada pela superintendência do Ibama em Mato Grosso que possa prejudicar o andamento da Operação Gnomo. "O pagamento da diária das equipes foi regularizado e a gerência prometeu apoio ao máximo", afirma.
Outro órgão federal que está mira do procurador é a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Apesar de ser a responsável pela saúde indígena, desde 1999, ainda não implantou um programa de assistência aos cintas-largas, que vivem em reservas nos municípios de Juína, Juruena e Aripuanã.
"A falta de assistência aos índios, extremamente miseráveis, os deixa cada vez mais suscetíveis à cooptação das organizações criminosas".
Shelb afirma que tentará também provocar a Funai a desempenhar um trabalho de mais qualidade na região. "Há apenas um funcionário do órgão em toda a área. Estes índios precisam de acompanhamento para serem reintegrados as suas rotinas tradicionais, após tanto tempo de contato com a nossa sociedade", defende.
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