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Madeireiros mantem Altamira paralisada: chefes do Ibama e do Incra denunciam que podem ser vitimas de sequestro

OESP, Geral, p.A10
26 de Nov de 2003

Madeireiros mantêm Altamira paralisada
Chefes do Ibama e do Incra denunciam que podem ser vítimas de seqüestro
CARLOS MENDES
Especial para o Estado
A rodovia Transamazônica e as principais ruas de Altamira continuavam bloqueadas ontem à noite por caminhões e tratores, em mais uma etapa do protesto de madeireiros contra a fiscalização federal na região. Num relatório enviado ao Ministério do Meio Ambiente, o coordenador do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no município, Elielson Soares Farias, e o chefe do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Bruno Lourenço Kempner, revelaram que parte dos madeireiros planeja seqüestrá-los para forçar o governo federal a atender suas reivindicações.
Grupos de madeireiros e empresários divergiam ontem sobre se deveriam aceitar a condição imposta pelo governo federal para retomar as discussões com o setor, hoje, em Belém: a desocupação da estrada e dos prédios do Incra e do Ibama. Os manifestantes exigem a anulação de multas e o fim da fiscalização nas serrarias e pátios das empresas, mas disseram que a denúncia de seqüestro é uma "fantasia".
Como o efetivo da Polícia Militar é pequeno, policiais federais se desdobravam para impedir o caos na cidade. O Ministério Público Federal e o Estadual estudavam ontem a possibilidade de pedir à Justiça a prisão preventiva dos líderes das manifestações por "desobediência civil e apologia ao crime".
Ontem em Brasília houve uma reunião preliminar do encontro marcado para hoje no Pará para analisar a crise no setor. O diretor-adjunto do Programa Nacional de Florestas do ministério, Tasso Rezende de Azevedo, adiantou que o governo está disposto a discutir instrumentos de fomento e acesso a florestas públicas, mas não dispensa a execução de plano
de manejo.
O presidente da Associação das Indústrias Madeireiras de Altamira, Renato Mengoni, afirmou que pode faltar madeira para a indústria. "A situação em Altamira é grave e deve piorar no período das chuvas", admitiu Azevedo.
O diretor explicou que esse quadro é resultado da suspensão de autorização de manejos em terras públicas. Muitos pedidos foram rejeitados porque os documentos dos madeireiros não comprovavam que a propriedade era particular. (Colaborou Sandra Sato)

OESP, 26/11/2003, p. A10

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