Viaecológica-Brasília-DF
12 de Fev de 2005
Confirmando que o governo perdeu o controle sobre grileiros, madeireiros e pistoleiros do Pará, foi assassinada hoje (12) pela manhã com três tiros no sudoeste do estado a freira norte-americana Dorothy Stang, 73 anos, há 30 anos defendendo na região os direitos dos pequenos agricultores e ribeirinhos contra os madeireiros e latifundiários. À tarde o presidente Lula determinou ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que a Polícia Federal acompanhe as investigações sobre o assassinato - segundo testemunhas, por dois pistoleiros que se infiltraram entre os agricultores, em Anapu, em região de conflitos de terra e madeira. A assessoria do ministério informou, que duas equipes da PF vão investigar o caso. Uma de Belém e outra que partiu hoje de Brasília. O secretário especial de direitos humanos da Presidência da República, ministro Nilmário Miranda, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, decidiram viajar para o local do crime. Eles estavam no oeste do Pará participando da instalação de um posto do Ibama e do Exército na reserva extrativista Verde para Sempre. Nilmário pediu à PF que faça uma perícia no local do crime. Disse que os responsáveis pela morte da missionária são dois pistoleiros conhecidos por Eduardo e Pogoió, segundo dados da polícia. Ele lembrou que na semana passada assistiu a um depoimento no qual a irmã Dorothy, da Comissão PAstoral da Terra, da Igreja Católica, relatou ameaças que estaria sofrendo. Essas ameaças teriam partido de madeireiros da região, que estão em conflito com o Ibama. O depoimento foi dado no lançamento de um programa que tem o objetivo de evitar a violência. "O caso é gravíssimo. No meu entendimento a PF tem de entrar na investigação", afirmou Nilmário Miranda à Agência Brasil. "Não podemos admitir impunidade num caso como esse", disse. "As pessoas têm de saber que não haverá complacência", concluiu o ministro. O presidente do PT, José Genoino, disse que o governo tem de ser "duro e rápido" para reagir ao episódio, que classificou de "inaceitável". "Se ficar comprovado que o crime envolve interesses econômicos, o governo tem de suspender qualquer negociação que esteja fazendo", afirmou. Isto quer dizer que pelo menos o PT está reconhecendo as críticas das organizações não-governamentais ao acordo que o Meio Ambiente e a Reforma Agrária fizeram com madeireiros e ocupantes de terras da União para desbloquearem estradas e hidrovias, em troca da extensão do prazo para cadastramento de imóveis e permissão para extração de madeira. O presidente da Seccional da OAB no Pará, Ophir Filgueiras Cavalcanti Junior, afirmou que "a morte de Dorothy é um profundo golpe na luta dos direitos humanos do País". Ele disse que o crime, "ao invés de calar a sociedade vai dar mais força a todos que lutam pelos direitos humanos, da cidadania do homem no campo e da reforma agrária". No final do ano passado Dorothy recebeu, na sede da OAB, o prêmio "José Carlos Castro", advogado que atuou sempre em defesa das ações de cunho social no Pará. Este é um caso parecido ao do seringueiro Chico Mendes, exceto pelo fato de que, por envolver uma norte-americana, o caso já está tendo forte repercussão na mídia internacional que vigia tudo que ocorre na Amazônia. (Veja também www.cpt.org.br, www.radiobras.gov.br, www.cimi.org.br, www.gta.org.br, www.oab.org.br, www.greenpeace.org.br, www.dpf.gov.br, www.mma.gov.br).
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.