OESP, Geral, p.A10
25 de Nov de 2003
Madeireiros do Pará fecham Transamazônica
Grupo utiliza 90 caminhões e máquinas em protesto contra Ibama e Greenpeace
Carlos Mendes Especial para o Estado
A rodovia Transamazônica está bloqueada desde ontem por madeireiros da região de Altamira, no sudoeste do Pará. Os manifestantes deixaram 90 caminhões e máquinas agrícolas atravessados nos dois sentidos da estrada em protesto contra a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a presença do movimento ambientalista Greenpeace na região.
Em apoio à manifestação, empresários e comerciantes fecharam 95% das lojas de Altamira. "O Ibama está nos impedindo de trabalhar", dizia uma das faixas de protesto. E outra: "Fora do Pará, Greenpeace".
O vice-presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras da Transamazônica, Luiz Bossatto, informou que mais de 1.500 trabalhadores do setor estão parados desde quinta-feira, quando começaram os protestos. No começo da tarde, vários ônibus com mais de 400 empregados de madeireiras de Uruará e Anapu reforçaram o bloqueio da Transamazônica.
Bossatto disse que os manifestantes exigem a suspensão imediata da operação de fiscalização de madeireiras. Segundo o sindicalista, elas estão sendo "realizadas pelo Greenpeace, com apoio do Ibama".
Reunião - O grupo também cobra do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a agilidade na liberação de documentação que legaliza as terras para a realização dos planos de manejo. "Só assim poderemos exercer nossa atividade dentro da legalidade", admitiu Bossatto. O presidente da Associação das Indústrias Madeireiras de Altamira, Renato Mengoni, viajou para Brasília, onde será recebido hoje pelo secretário-adjunto do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo.
A ameaça de desemprego no setor madeireiro aumenta a cada dia, afirmou o diretor-executivo da Associação das Indústrias Madeireiras Exportadoras do Pará (Aimex), Roberto Pupo. Para ele, a legislação fundiária e ambiental é incompatível com a realidade da Amazônia. "Há falta total de estrutura e conhecimento desta realidade por parte do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama."
A direção do Ibama em Brasília prometeu manter seus fiscais na Transamazônica e garantiu que está tomando providências para garantir a integridade dos agentes durante o trabalho de apreensão de madeira extraída ilegalmente. O Greenpeace também não pretende sair da região. A entidade afirmou que sua missão não é a de fiscalizar, mas só acompanhar o trabalho do Ibama.
OESP, 25/11/2003, p. A10
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