OESP, Geral, p.A14
27 de Nov de 2003
Madeireiros desocupam sede do Incra
Manifestantes mantêm bloqueio da Transamazônica em Altamira, no Pará
O juiz Fabiano Verli, da Vara Única Federal de Santarém, no oeste do Pará, determinou ontem a desocupação dos prédios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emAltamira. Até o início da noite, porém, a decisão só tinha sido acatada em relação ao prédio do Incra. Já a Rodovia Transamazônica continuava fechada por caminhões e tratores dos madeireiros, num protesto contra os fiscais do Ibama que atuam no combate aos crimes ambientais.
Verli acolheu pedido do procurador federal Nilo Salgado, que foi a Altamira e viu a situação de perto. Agentes da Polícia Federal de Santarém deslocaram-se no começo da tarde para Altamira com a missão de fazer cumprir a decisão da Justiça e prender os responsáveis em caso de resistência.
Os caminhões deixaram a frente do Incra depois de uma reunião de promotores de Justiça e do juiz da comarca, Fábio Póvoa, com os líderes do protesto. "Os manifestantes cometem um crime ao privar o direito de ir e vir das pessoas", afirmou o promotor Mauro Mendes de Almeida.
Reunião - Durante seis horas de reunião na Agência de Desenvolvimento da Amazônia, em Belém, integrantes do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Incra, setor madeireiro, empresários e representantes de trabalhadores debateram a criação de um grupo de trabalho para discutir medidas para o ordenamento do setor madeireiro. Após muito bate-boca, o Ibama anunciou que manterá a fiscalização dos planos de manejo na região do Xingu e as multas já lavradas contra madeireiras acusadas de crimes ambientais.
"Não estamos brincando de fiscalização. No Pará as estatísticas são assustadoras em acidentes de trabalho em madeireiras e centenas de pessoas são vítimas de trabalho escravo em fazendas que queimam e desmatam. O governo tem de se antecipar para evitar a destruição de florestas nativas na Amazônia", afirmou o diretor de Proteção do Ibama,
OESP, 27/11/2003, p. A14
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