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Madeireiros : denuncia do Ibama esvazia protesto

OESP, Geral, p.A20
29 de Nov de 2003

Madeireiros: denúncia do Ibama esvazia protesto
Grupo prometia realizar manifestações em todo o Pará, mas só uma rodovia foi fechada
Carlos Mendes Especial para o Estado
Acuados pelas denúncias de fraudes em 1.263 planos de manejo, feitas quinta-feira pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os madeireiros do Pará reduziram a intensidade dos protestos programados para ontem contra a fiscalização e apreensão de toras extraídas da floresta. Só a Rodovia PA-140, no trecho entre os municípios de Tomé-Açu, Quatro-Bocas e Paragominas, foi interditada por algumas horas.
Em Altamira e outros municípios o tom dos discursos contra o governo federal foi um só: ou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) regulariza as áreas de extração madeireira, para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aprove os projetos de manejo, ou novas manifestações serão realizadas no Estado, com bloqueio de rodovias.
O advogado do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Vale do Acará, Jorge Pimentel, disse que as manifestações de ontem serviram para "denunciar os prejuízos que o Ibama tem trazido para a atividade madeireira". Ele citou os projetos de manejo suspensos pelo Ibama sob a alegação de que os títulos de posse emitidos pelo Incra e pelo Instituto de Terras do Pará não tinham validade. "Não somos bandidos, queremos trabalhar", dizia uma faixa levada por um madeireiro na manifestação em Tomé-Açu.
A Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex) e a União das Entidades Florestais do Pará (Uniflor) criticaram a publicação do relatório do Ibama sobre fraudes praticadas pelo setor.
Segundo as duas entidades, elas tomaram conhecimento das denúncias "apenas pela imprensa", e não foram notificadas pelo Ibama. "Da mesma forma que o Ibama, apoiamos as fiscalizações e a penalização dos infratores, desde que isso seja feito de acordo com a lei. Todas as manifestações que o setor tem feito no Estado são para que os órgãos públicos nos dêem condições de trabalhar dentro da legalidade."
A ameaça de atentado contra o barco Arctic Sunrise, do Greenpeace, foi afastada ontem depois que os dirigentes da entidade decidiram manter a embarcação distante 30 quilômetros da cidade de Porto de Moz. "Esse recuo não significa que estejamos deixando a região, onde ficaremos até pelo menos o fim de dezembro", disse o representante da entidade Nilo D' Ávila. Além do barco, um helicóptero e lanchas do movimento percorrem a região onde será criada a reserva extrativista Verde para Sempre.
Prefeito - O prefeito de Porto de Moz, Gerson Campos, grande madeireiro na região e inimigo declarado do Greenpeace, mantém uma rede de informantes espalhados por rios e florestas do município.
Ele chegou a mandar um recado: se o barco aparecer de novo próximo da cidade poderá sofrer represálias dos moradores. O Greenpeace alega que a maioria da população, formada por pequenos lavradores e ribeirinhos, apóia e tem incentivado a criação da reserva extrativista.
Hoje, em Porto de Moz, pouco mais de oito empresas madeireiras controlam uma área de 800 mil hectares. A madeira extraída é levada para serrarias de outros municípios, como Breves e Portel, no Arquipélago do Marajó.

OESP, 29/11/2003, p. A20

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