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Madeireiros ameaçados de prisão

CB, Brasil, p. 10
22 de Fev de 2008

Madeireiros ameaçados de prisão
Governo federal diz ter identificado empresários que insuflaram população de Tailândia (PA) contra fiscais do Ibama e agentes da PF

O governo já identificou quem são os líderes de madeireiros e fazendeiros que desmatam ilegalmente a Amazônia e que têm incitado a população a atacar agentes da Polícia Federal e do Ibama na véspera da deflagração da Operação Arco de Fogo, nome dado à grande mobilização repressiva planejada para a região nos próximos dias. Os nomes e endereços de todos eles já estão com a PF. Assim que a operação começar, deverão ser presos se insistirem em resistir à ação do governo.

Depois de assistirem a filmes dos tumultos ocorridos desde terça-feira na cidade de Tailândia, a cerca de 150km ao sul de Belém, o ministro-chefe do Gabinete Institucional, general Jorge Félix, delegados da PF, agentes do Ibama e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), além de representantes do Ministério da Justiça, trataram hoje dos últimos preparativos para a Operação Arco de Fogo. A reunião com o general Félix foi realizada no Palácio do Planalto, no gabinete da Segurança Institucional.

Foi decidido que os agentes de segurança de todos os setores deverão evitar conflitos com a população. Uma das formas, concluíram os participantes dos preparativos para a operação, será tentar fazer com que os moradores fiquem do lado das forças de segurança. Os madeireiros têm dito que o governo está promovendo o desemprego, ao fechar serrarias. No contra-ataque, o governo deverá responder que os madeireiros são a causa do desemprego, visto que destróem a floresta.

Ao todo, o governo pretende utilizar 800 agentes da PF, Abin, Ibama, Força Nacional de Segurança e Polícia Rodoviária Federal na operação. As polícias Civil e Militar do Pará também deverão dar apoio aos agentes federais na operação que atingirá toda a Amazônia Legal, do Acre, no extremo oeste, até o Maranhão, já na parte leste. A Operação Arco de Fogo foi decidida depois da constatação de que está havendo desmatamento ilegal na Amazônia. Os estados com situação mais crítica são Mato Grosso, Pará e Rondônia.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lembrou hoje que conflitos por causa da repressão à derrubada da floresta são comuns. "No ano passado ocorreram em Buriticu (cerca de 700km a sudoeste de São Luís, no Maranhão), onde atuamos com forças da Guarda Nacional, Exército, Polícia Federal e Rodoviária. Graças a Deus não houve conflitos", disse Marina. Ela acrescentou que logo em seguida os tumultos foram verificados em Novo Progresso (cerca de 400km ao sul de Belém).

US$ 1 bilhão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, no Fórum de Legisladores sobre Mudanças Climáticas, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, a criação de um fundo de apoio à preservação da Amazônia que repassaria US$ 1 bilhão por ano para ações de combate ao desmatamento na região. Em discurso, boa parte de improviso, Lula disse que os países ricos devem bancar a conservação do meio ambiente, já que consomem 80% dos recursos do planeta. "É fácil os países mais poluidores repassarem a responsabilidade de proteger o planeta aos países pobres", disse o presidente. "Os países que são poluidores do mundo precisam pagar para que os países pobres façam aquilo que os países ricos não fizeram no século 19", completou o presidente, sob aplausos de parte da platéia.

CB, 22/02/2008, Brasil, p. 10

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