Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: DANIEL PETTENGILL
06 de Ago de 2002
Considerado o chefe do esquema de extração ilegal em área indígena, Osmar Queiroz tinha prisão decretada
O empresário, acusado de crime ambiental e corrupção ativa, foi levado para a superintendência da Polícia Federal em Cuiabá
Um dos principais "comandantes" da rede de extração ilegal de madeira no município de Juína (737 quilômetros de Cuiabá), o empresário Osmar Queiroz, entregou-se ontem à Polícia Federal para cumprir prisão preventiva decretada pela Justiça.
Queiroz foi preso por corrupção ativa e crime ambiental, ao se constatar o furto e a comercialização irregular da madeira da reserva indígena localizada na região de Serra Morena, no município do noroeste do Estado.
O empresário, que controla vários estabelecimentos em Juína e Cuiabá, entre elas uma concessionária de motos, estava sendo investigado pelo Ministério Público Estadual há alguns meses.
A prisão preventiva foi decretada pelo juiz da 3ª Vara Federal César Augusto Bearsi. No mês passado, a PF já havia prendido em flagrante um membro da mesma rede e já expediu a prisão preventiva de outra pessoa, que ainda não se entregou.
Segundo o promotor de Meio Ambiente Domingos Sávio Arruda, a prisão de Queiroz desbarata grande parte da máfia da extração ilegal de madeira, que domina a região e corrompe índios e fiscais do Ibama há mais de quinze anos. "O empresário era muito influente no município e comandava essa grande rede de corrupção pagando propina para índios e fiscais. Mas ainda existem outras ações criminosas que precisam ser investigadas," relatou o promotor.
Domingos Sávio informou que a equipe de investigação apreendeu documentos e computadores instalados nas empresas e na casa do empresário, que comprovam a ação irregular e apontam as conexões da rede. "Já sabemos como agiam os criminosos. Se for comprovada a conivência de fiscais do Ibama, por exemplo, podemos processá-los pelo mesmo crime do empresário", afirma.
AMBIENTE PROPÍCIO - Há pouco mais de três meses, a gerência do Ibama em Juína apreendeu 300 metros cúbicos de mogno extraído irregularmente pela empresa M. dos Santos. Na época, o interventor do órgão Luciano Menezes Evaristo, reconheceu a falta de estrutura para o trabalho de fiscalização no município. Segundo informe relatado por ele ao MPE, "cerca de 90% da atividade madeireira corria fora da lei" e dizia que o Ibama tinha um parcela de responsabilidade pela situação. Juína tem 62% do seu território demarcado por terras indígenas.
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