O Liberal -Belém-PA
Autor: José Ibanês
14 de Abr de 2003
O madeireiro capixaba Sírio da Silveira Ferraz, denunciado pela Prefeitura de Monte Alegre pela prática de invasão de terras públicas no município, afirmou não ser o único a invadir e demarcar lotes de terras na região. Ele procurou a Prefeitura de Monte Alegre para prestar informações sobre o projeto extrativista que quer implantar no município e para rebater acusações infundadas, segundo ele, que foram publicadas na imprensa. Ele se reuniu com Raimundo Santana, chefe de gabinete do prefeito municipal, e com o vereador Anselmo Picanço (PTB). Sírio Ferraz estava acompanhado do advogado Alcemir Moro. Ele garantiu que há pelo menos mais três grupos demarcando áreas de terras na região norte do município, e que sua área não é a maior.
Ele disse que sua pretensão inicial era a demarcação de 22 lotes de 2.500 hectares. Por causa da presença de outros invasores, ele afirmou que esses lotes deverão ficar com cerca de 400ha. Disse que deseja obter essas áreas para implantar um projeto de manejo florestal. "O que queremos é explorar madeira de forma sustentada. Não temos qualquer pretensão de implantar projeto de soja ou qualquer outro", completou o advogado Moro.
Sírio afirmou que esteve no escritório do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), em Santarém, onde prestou informações sobre seu projeto. "Já estou liberado pelo Ibama para continuar meu trabalho", garantiu. Ele confessou, no entanto, que o extremo oeste do pico por ele aberto na mata está a dois quilômetros da Floresta Nacional da Mulata, dentro, portanto, da área de proteção daquela unidade de conservação. Sírio contestou a denúncia de que está com homens armados na área, ou que seus trabalhadores estejam com salários atrasados. Informou que Antônio Aprígio Neves, o "Nanã", não mais trabalha para ele.
"Se ele é o principal ou o menor dos grileiros que estão atuando no município, isso não importa", afirmou o prefeito Jardel Vasconcelos (PSDB), depois de ouvir os relatos sobre a reunião com Sírio Ferraz. Segundo Jardel, o que importa é que Sírio confessou estar invadindo terras públicas, possivelmente em articulação com outros grupos madeireiros, o que é crime. O prefeito orientou seus secretários e entrarem em contato com os ministérios públicos Federal e Estadual para solicitar providências contra a ação dos madeireiros e invasores
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