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Madeireira promove grilagem

A Crítica, p. C3
13 de fev de 2005

Madeireira promove grilagem
A grilagem envolve também uma área de 80 mil metros quadrados, entre duas reservas indígenas. A madeireira Cikel Brasil Verde ocupou uma área de terra superiora 2 milhões de hectares para exploração na floresta amazônica

Jonas Santos
Da equipe de A Crítica

A madeireira Cikel Brasil Verde S.A., com sede em Curitiba (PR), ocupou uma área de terra superiora 2 milhões de hectares para exploração de madeira da floresta amazônica que abrange parte dos municípios de Faro e Oriximiná, no Estado do Pará, e Nhamundá, no Amazonas. A grilagem envolve também uma área de 80 mil metros quadrados, que fica localizada entre as reservas indígenas dos índios uaiuai (Mapuera-PA) e os iscariana (Kassawa-AM). As terras são reivindicadas pelas etnias junto à Superintendência da Fundação Nacional do índio (Funai), em Brasília, há seis anos. Somente o imóvel pretendido pela madeireira, correspondente a reserva dos índios, equivale a 27 cidades de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus), que possui uma extensão de 2,9 mil hectares no perímetro urbano.
Em dezembro do ano passado uma equipe do Instituto Brasileiro e dos Recursos Naturais Renováveis (lhama), em Parintins, impediu que os madeireiros avançassem para a outra margem da foz do rio Nhamundá, em território amazonense, no limite com a cidade de Faro, onde detectaram 64 quilômetros de picada na floresta densa, na localidade denominada Piraguaci, na costa do município paraense. "Eles não possuíam plano de manejo e nem documentos para explorar a área informou o chefe do lhama em Parintins, José Ramos, acrescentando que no ano passado os agentes interditaram a exploração ilícita da Internacional Madeira Ltda, de origem paraense, que ocupou o equivalente a 110 mil hectares, no alto Nhamundá.
Afirma lacrada recebeu multa no valor de R$ 30 mil. Outra madeireira, a Industrial Curuatinga Ltda., foi autuada em R$ 69 mil. De acordo com José Ramos, as famílias das comunidades rurais em Faro estão sendo aliciadas a venderem os terrenos com promessas de emprego e de uma melhor qualidade devida. "Os moradores estão sendo enganados na área. Estão trocando lotes até por motores rabeta. Repassamos as informações sobre as operações desta nova madeireira ao Ibama, em Santarém, porque as infrações ocorriam na jurisdição do outro Estado", argumentou. 0 superintendente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Sérgio Luiz Almeida, negou o pedido de titulação fundiária à firma, alegando que faltavam ser apresentados pela Cikel Brasil Verde os documentos exigidos de acordo com a resolução do

Pontos
Viabilidade e áreas
Estudo de viabilidade da área requerida Mapuera (Oriximiná) - 740 mil hectares Cachoeira Porteira (Oriximiná) 1,3 milhão de hectares Cumarú (Oriximiná) 230 mil hectares Gleba Nhamundá (Faro/Nhamundá) - 366 mil hectares Total: 2, 367 milhões de hectares Fonte Ibama/Parintins

Destaque
Os uaiuai e iscariana, com o apoio dos uaimiri-atroari e macuxi, querem transformar a área em Parque Nacional. A reserva Mapuera (PA) abriga 2 mil índios da etnia uaiuai. Na reserva indígena Kassawa/Nhamundá (AM) vivem 940 iscarianas. Há seis anos os índios reivindicam uma nova demarcação das terras.
Ibama. "Uma das exigências é apresentação de um plano de manejo florestal, que não constava no material analisado", ressalvou.
A Cikel Brasil Verde possui ainda seis unidades funcionando nos Estados do Pará e Maranhão. A empresa fornece seus produtos para clientes no Brasil, Europa, Estados Unidos, Caribe e Ásia A rede de operação fica localizada no nordeste paraense, onde estão centralizadas as unidades de Pacajá, em Portei; em Paragominas, no rio Capim, e no Município de Ananindeua, próximo a capital Belém. "Eles realizaram um estudo topográfico das potencialidades minerais e extrativistas e continuavam no local", revelou.
Segundo o Ibama, o estudo dos recursos florestais revelou a existência de bauxita, chumbo, cobre, platina, prata, ouro, tantalina, titânio, tungstênio, zinco, zircão e outros minérios não identificados. Somente a bauxita teria potencialidade de exploração para 50 anos. Foram ainda encontradas 77 espécies de árvores, dentre as quais o ipê, angelim, maçaranduba, cedro e louro, madeiras com alto valor comercial dentro e fora do País. Os diretores da Mel não foram localizados nos telefones (91) 3784-1199 (Unidade Acajá) e (94) 3779-1164 (Unidade rio Capim). As chamadas não foram atendidas.

A Crítica, 13/02/2005, p. C3

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