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Luxemburgo doa 100.000 euros a líder indígena para defesa das florestas e tribos da Amazónia

Wort https://www.wort.lu
20 de mai de 2019

O Grão-Ducado doou esta segunda-feira 100.000 euros ao líder indígena Raoni Metuktire para a defesa das florestas e tribos da Amazónia. O líder da etnia Kayapó encontrou-se esta manhã com o Grão-Duque Henri, o primeiro ministro Xavier Bettel e Pierre Gramegna, ministro das Finanças, na capital, no âmbito da luta contra a desflorestação na Amazónia.

Raoni empreendeu um périplo de três semanas pela Europa, iniciado em Paris, durante o qual pretende arrecadar um milhão de euros para proteger a reserva do Xingu, localizada na floresta amazónica, lar de vários povos indígenas ameaçados pela indústria madeireira e pelo agronegócio. Depois de Paris, o líder indígena passou também pela Bélgica e Suíça.

Durante o encontro, Xavier Bettel precisou que "o governo comprometeu-se a apoiar a ação climática nos países em desenvolvimento, que cobre projectos florestais" como é o caso da reabilitação do perímetro da reserva do rio Xingu.

Com a finalidade de apoiar a gestão de florestas secundárias da América central já tinha sido criado pelo Governo e alguns membros do setor privado da praça luxemburguesa um fundo designado "Forestry and Climate Change Fund" (FCCF).

Segundo os membros da associação Forêt Vierge (Floresta Virgem), da qual Raoni é presidente honorário, os fundos arrecadados serão usados para substituir os sinais nos limites da vasta reserva do Xingu e para comprar drones e equipamentos técnicos para monitorizar a região e protegê-la contra incêndios. Algumas das comunidades no Xingu precisam ainda de recursos a nível da saúde, educação e conhecimento técnico para a extração e comercialização de produtos renováveis obtidos na floresta.

A viagem do líder indígena ocorre num período de grande tensão devido ao aumento das ameaças à Amazónia por parte dos setores de mineração e agricultura que encontraram no Presidente do Brasil um aliado. Um dos primeiros atos de Jair Bolsonaro como Presidente foi transferir a responsabilidade sobre as demarcações de terras indígenas do Ministério da Justiça para o da Agricultura que, historicamente, defende os interesses dos grandes proprietários de terras. A medida foi fortemente criticada por organizações não-governamentais, mas Bolsonaro acusou estas instituições de "explorarem e manipularem" os índios.

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