VOLTAR

Lula: sem esperança em Cancún

O Globo, Ciência, p. 34
27 de Out de 2010

Lula: sem esperança em Cancún
Presidente vai à Conferência do Clima, mas vê pouca chance de avanço

Catarina Alencastro e Chico de Gois

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que irá participar da COP-16, em Cancún, no México, em dezembro, mas adiantou que não acredita que o evento internacional para discutir as mudanças climáticas possa resultar em grandes avanços. A mesma opinião foi expressa pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, para quem as expectativas para a conferência, diferentemente da reunião mundial no ano passado, em Copenhague, são modestas.

- Não há expectativa para um grande acordo - sentenciou Amorim, para depois observar: - Isso não quer dizer que Cancún será um fracasso total.

O presidente lembrou que, na COP-15, em Copenhague, o Brasil apresentou metas de redução de emissão de gases de efeito estufa, diferentemente dos países ricos. Ele aproveitou para criticar os países desenvolvidos.

- Quando nós chegamos a Copenhague, tivemos uma surpresa porque todos os países ricos queriam uma audiência com o Brasil e, no fundo, todos eles estavam sabendo que o Brasil era o único que tinha evoluído e que tinha feito uma proposta e que estava disposto a cumprir suas metas. O restante era cada um tentando desfazer os compromissos que eles tinham assumido há algum tempo - afirmou o presidente, criticando os americanos por, segundo ele, não quererem fazer "absolutamente nada".

- Os americanos, para não fazerem nada, queriam usar os chineses como se fossem o bode expiatório da emissão de gases de efeito estufa. Nós não aceitamos que os chineses pagassem o pato porque, embora sejam um dos grandes países poluidores hoje, a industrialização deles começou agora há pouco.

Presidente diz que países ricos fazem guerra comercial

Para Cancún, no entanto, a expectativa de Lula é pequena. Ele avaliou que a participação brasileira na COP-16 servirá para o país reafirmar suas posições.

O presidente classificou de guerra comercial contra o Brasil o fato de as nações desenvolvidas quererem que o país tenha metas de redução de emissão de gases-estufa tão grandes como as que são impostas a eles.

- Quando o Brasil era um país vendedor de carne e insignificante, ninguém falava mal da carne brasileira. Mas, na hora em que o Brasil começa a competir e a derrubar países importantes exportadores de carne, eles começam a dizer que é a carne brasileira que está desmatando a Amazônia, que é a carne brasileira que está responsável por isso ou por aquilo. É uma competição comercial.

Lula declarou que as ações brasileiras possibilitarão ao país chegar à cúpula de Cancún com propostas concretas.

- Assim como está determinado a agir, o Brasil também está decidido a cobrar a contribuição dos demais. Queremos resultados em Cancún e nos empenharemos para que a conferência resulte num sólido compromisso entre nações.

O Globo, 27/10/2010, Ciência, p. 34

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.