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Lula reduz participação de mulheres em ministérios enquanto tenta atrair eleitorado feminino

O Globo - oglobo.globo.com
Autor: Victoria Azevedo e Ivan Martínez-Vargas — Brasília
04 de Abr de 2026

O ministério do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou ainda mais masculino após as trocas desta semana, com a saída de seus auxiliares para disputar as eleições deste ano. Antes da mudança, eram 28 homens e dez mulheres na Esplanada petista. Agora, elas ocupam oito pastas enquanto eles, 30. A mudança ocorre em meio a uma tentativa do petista de atrair o eleitorado feminino.

Quando Lula subiu a rampa para seu terceiro mandato, seu governo tinha 11 mulheres e 26 homens à frente de 37 ministérios. O petista começou seus dois primeiros mandatos com 4 mulheres no primeiro escalão.

Nesta sexta-feira, com o fim do prazo da desincompatibilização, foram oficializadas mudanças em 16 ministérios. Ainda não há clareza de quem substituirá Gleisi Hoffmann na chefia da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) -a deputada irá concorrer a uma vaga ao Senado pelo Paraná. Apesar disso, os principais cotados para o cargo são homens: o deputado José Guimarães (PT-CE), o senador Otto Alencar (PSD-BA) e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

Ao longo desse terceiro mandato, Lula foi cobrado por sua base a dar mais espaço às mulheres, já que, apesar de representar avanços comparados a seus dois primeiros governos, a composição do gabinete ainda está longe da paridade de gênero.

Nesta semana, deixaram o governo, além de Gleisi, as ministras Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), que concorrerá ao Senado em São Paulo; Marina Silva (Meio Ambiente), que deve concorrer a uma vaga na chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo; Macaé Evaristo (Direitos Humanos), que será candidata a deputada estadual em Minas Gerais; Anielle Franco (Igualdade Racial) que buscará se eleger deputada federal pelo Rio; e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), que sairá candidata à Câmara por São Paulo.

Entre os substitutos já anunciados dessas cinco ministras, três são homens: Bruno Moretti, no Planejamento; João Paulo Capobianco, novo ministro do Meio Ambiente; e Eloy Terena, que será ministro dos Povos Indígenas. No Ministério dos Direitos Humanos, assumiu Janine Mello dos Santos, atual secretária executiva da pasta; e no da Igualdade Racial, entra Rachel Barros de Oliveira, que também era a número 2 de Anielle.

Por outro lado, duas ministras vão substituir titulares homens: Miriam Belchior (Casa Civil) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), que entram no lugar de Rui Costa e Paulo Teixeira, respectivamente.

Além delas, seguirão na Esplanada as ministras Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Márcia Lopes (Mulheres) e Margareth Menezes (Cultura).

A participação de mulheres no governo com essas trocas é superior à do Ministério de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), no mesmo período. A montagem de Bolsonaro em ano eleitoral e após o prazo de desincompatibilização era de 22 homens e somente uma mulher - antes, havia três ministras, que deixaram os cargos para disputar eleições: Damares Alves, Flávia Arruda e Tereza Cristina.

Coordenadora da bancada feminina na Câmara, a deputada petista Jack Rocha (ES) diz que é importante reconhecer o avanço e o protagonismo das ministras que fizeram parte do governo. Ela afirma que elas são lideranças extremamente comprometidas com a agenda das mulheres no país e que "não ocuparam esses espaços apenas por composição política, mas por presença, influência, agenda e trajetória".

-Ao mesmo tempo, é um fato que ainda estamos aquém do que a democracia brasileira exige. As mulheres são maioria na sociedade e não podem seguir sendo minoria nos espaços de decisão. A redução do número de ministras acende um alerta: a presença das mulheres no governo não pode ser episódica, precisa ser estruturante.

Jack Rocha afirma ainda que a saída de ministras mulheres "gera uma lacuna relevante", mas diz que a busca por paridade nesses espaços é um desafio da sociedade como um todo e não está restrita somente ao Executivo, mas também no Parlamento e no Judiciário.

Eleições

De olho nas eleições, o Palácio do Planalto acredita que é possível avançar entre as mulheres -o eleitorado feminino representa 52,5% do total, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no último dia 17, o eleitor médio mais suscetível a mudar de voto são mulheres (49%).

Desde o fim do ano passado, o presidente incorporou ao seu discurso o enfrentamento ao feminicídio e determinou que o combate à violência contra a mulher seja uma das prioridades da gestão neste ano, em uma prévia do uso do tema como bandeira eleitoral na campanha à reeleição. O desafio, no entanto, são os altos índices de feminicídios registrados no país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa, também tem investido no eleitorado feminino. Em falas públicas recentes, acenou para o segmento. Em ato na avenida Paulista, em São Paulo, por exemplo, o pré-candidato afirmou que mulheres seriam "de verdade, abraçadas e protegidas, sem hipocrisia" em um eventual governo seu.

O entorno de Flávio considera ainda que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro será um ativo político relevante para ampliar o diálogo com as mulheres e diminuir a rejeição ao nome do senador.

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/04/lula-reduz-partici…

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