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Lula e Sarkozy cobram ambição de EUA e China

OESP, Vida, p. A25
15 de Nov de 2009

Lula e Sarkozy cobram ambição de EUA e China
Presidentes anunciaram plano de ação conjunta para Copenhague

Andrei Netto, PARIS

Em um duro pronunciamento conjunto, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, cobraram dos Estados Unidos e da China avanços que permitam um acordo concreto na 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas, marcada para dezembro, em Copenhague. Em entrevista, os dois chefes de Estado apresentavam um "programa comum" - na realidade, uma carta de intenções - para o acordo que renovará o Protocolo de Kyoto.

Lula cobrou frontalmente Barack Obama e Hu Jintao. "Não temos o direito de permitir que o presidente Obama e o presidente Hu Jintao façam um acordo com base apenas nas realidades políticas e econômicas dos dois países", disparou o brasileiro. Neste fim de semana, Obama realiza turnê pela Ásia, e teria encontro em Pequim com a cúpula do governo chinês.

"No fundo, o que estamos vendo é a tentativa de criação de um G2, com interesses específicos, para resolver o problema climático dos dois países sem se importar com os compromissos que temos de ter com o conjunto da humanidade", completou Lula.

EUA e China são os países que mais emitem gás carbônico, e especula-se que estariam negociando um acordo bilateral de controle de emissões, fora da Convenção do Clima.

O presidente brasileiro cobrou mais ambição dos dois governos. "É preciso que os Estados Unidos, como maior economia do mundo, sejam os mais ousados do mundo", disse. "E que a China, que não tem a mesma responsabilidade dos países desenvolvidos, mas que cresce de forma extraordinária, tenha um pouco mais de ousadia."

As declarações, feitas ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e frente à cúpula do governo francês, foi endossada por Sarkozy. Um pouco mais cometido, sem citar os nomes de Obama e Jintao, o chefe de Estado francês também atacou o suposto entendimento entre EUA e China.

"Vocês sabem da admiração que tenho pelos Estados Unidos e da confiança que tenho no presidente Obama. A primeira economia do mundo deve estar à altura de suas responsabilidades", disse Sarkozy, até aqui considerado em seu país um presidente "atlantista", ou seja, amigo dos Estados Unidos.

As críticas de Lula foram feitas um dia após o governo brasileiro anunciar a proposta que levará a Copenhague, de reduzir em até 39% o crescimento de suas emissões até 2020. A meta é voluntária, mas Lula garantiu que "o Brasil não está brincando".

"O Brasil é o primeiro país emergente do mundo que assume um engajamento preciso desta natureza", disse Sarkozy, que foi só elogios à proposta brasileira. A conferência de Copenhague começa dia 7 de dezembro.

OESP, 15/11/2009, Vida, p. A25

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