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Lula desapropria 59 mil hectares em 15 estados

OESP, Nacional, p.A14
07 de Fev de 2004

Lula desapropria 59 mil hectares em 15 Estados
Áreas, consideradas improdutivas, são suficientes para abrigar 3.128 famílias

JOÃO DOMINGOS

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na quarta-feira a maior desapropriação de terras para reforma agrária - a primeira neste ano - desde que assumiu o governo. São 59,8 mil hectares em 31 imóveis rurais espalhados por 15 Estados. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a área é suficiente para abrigar 3.128 famílias. Todas as propriedades foram consideradas improdutivas, mas nenhuma delas estava ocupada. Os decretos já foram publicados no Diário Oficial da União. A previsão é de que o assentamento se dê ainda neste semestre.

Em 2003, Lula desapropriou, em várias etapas, 192 imóveis, numa área de 408,96 mil hectares. As terras são suficientes para abrigar 12.179 famílias. A meta de assentamento do governo para o ano passado era de 60 mil famílias. Apenas 20% do estabelecido foram cumpridos. O governo pretende assentar 115 mil famílias em 2004.

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, acha que neste semestre dará para alcançar 47 mil famílias. "A intenção é imprimir o ritmo mais rápido possível para tirar definitivamente milhares de famílias de baixo de uma lona preta."

As áreas desapropriadas nesta semana atendem a reivindicações antigas dos movimentos sociais ligados ao campo, como o Movimento dos Sem-Terra (MST) e federações de agricultura. Para Hackbart, a desapropriação dos imóveis num único ato demonstra que o governo está empenhado em executar o Plano Nacional de Reforma Agrária, lançado no fim do ano passado.

Ainda de acordo com informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Incra iniciou o ano com um estoque de terras capaz de assentar mais de 90 mil famílias. São 1.291 imóveis em processo de desapropriação com área superior a 2,2 milhões de hectares. Os 31 imóveis desapropriados esta semana fazem parte desse estoque. Dos cinco imóveis da Bahia, três estão no extremo sul do Estado. Nesta região, havia mais de quatro anos não ocorriam desapropriações.

OESP, 07/02/2004, p.A14

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