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Lula critica proposta de redução de emissões

OESP, Vida, p. A38
02 de Jun de 2007

Lula critica proposta de redução de emissões
Metas apresentadas por Bush causam reações diferentes em países ricos e em desenvolvimento

Andrei Netto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem críticas abertas à proposta de limite de emissões de gases-estufa de George W. Bush. Na quinta-feira, o presidente americano havia detalhado a proposta de redução internacional das emissões que levará ao G-8 na próxima semana. A idéia é de que cada nação crie meios próprios de alcançar metas de redução de emissões de CO2 na atmosfera, definidas por novos acordos internacionais.

O Brasil, como os demais emergentes, tem se mostrado contrário à fixação desses objetivos por temer que seu nível de crescimento econômico seja prejudicado. "Os protocolos das instituições multilaterais já dão diretrizes gerais para que os países as cumpram. Se cada nação adotar o que está previsto no Protocolo de Kyoto, significa que cada país vai ter de assumir responsabilidade para reduzir o desmatamento, despoluir o planeta", argumentou. "Não existe perspectiva de que a proposta do presidente Bush prevaleça sobre o Protocolo de Kyoto e outras decisões multilaterais porque sua proposta é muito voluntarista. Quem quer faz, quem não quer não faz. Ora, se já temos Kyoto, por que inventar outra proposta e não cumprir aquilo que já está determinado?"

O presidente voltou a afirmar que os biocombustíveis são "alternativa concreta" à queima de derivados do petróleo, que emitem mais CO2 para a atmosfera.

REPERCUSSÃO

Criticada por Lula, a proposta de Bush, no entanto, foi recebida com otimismo por países como Japão e Inglaterra. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, se mostrou otimista. "Isto significa que Washington reconhece desde agora que este fenômeno é um problema real e que os Estados Unidos devem desempenhar um papel de líder sobre esta questão e estar dispostos a formar parte de um acordo mundial no coração da qual estará a redução das emissões", disse.

A chanceler alemã, Angela Merkel, reagiu com mais cautela. "No que se refere às formulações concretas para Heiligendamm, está claro que teremos de trabalhar um pouco", disse. Já o ministro do Meio Ambiente alemão, Sigmar Gabriel, advertiu que a proposta americana não pode se transformar "em um cavalo de Tróia", afirmou.

OESP, 02/06/2007, Vida, p. A38

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