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Lula comemora redução

CB, Brasil, p. 15
14 de Ago de 2007

Lula comemora redução
Presidente diz que respeito às leis ambientais é fundamental para que o Brasil conquiste maior credibilidade no exterior

Hércules Barros
Da equipe do Correio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem estar convencido de que é possível o Brasil expandir a fronteira agrícola sem provocar mais desmatamento na Amazônia. Para Lula, o respeito à lei ambiental é a condição básica para que o país conquiste mais credibilidade no exterior. "Nós temos áreas enormes já degradadas que podem ser utilizadas para o plantio, sem precisar adentrar em áreas que nós precisamos preservar", ressaltou o presidente durante o programa de rádio semanal Café com o Presidente. Acompanhado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Lula disse que é possível o Brasil "crescer preservando a natureza".

A expectativa do governo é que o desmatamento da Amazônia caia mais 30% este ano em relação aos 14 mil quilômetros quadrados devastados no ano passado. A taxa de 9,6 mil quilômetros quadrados esperada pode ser a menor desde 1988, quando foi criado o sistema de monitoramento do desmatamento da Amazônia por satélite. Ambientalistas comemoram a queda nos índices, mas advertem que o verde brasileiro está vulnerável à oscilação do agronegócio.

O presidente estava no Panamá quando recebeu os dados levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Lula atribuiu o resultado a "um esforço imenso do governo". Segundo o Inpe, a taxa de devastação na Amazônia caiu 25,3% entre agosto de 2005 e julho de 2006. É o terceiro ano consecutivo de queda no índice de desmatamento registrado pelo Inpe. Em 2004, a área desmatada foi de 27 mil quilômetros quadrados, enquanto em 2005 foi de 18 mil quilômetros quadrados.

Na avaliação do Ministério do Meio Ambiente, o desmatamento menor evitou a emissão de 410 milhões de toneladas de CO², poupou a destruição de 600 milhões de árvores e livrou da destruição cerca de 20 mil aves e aproximadamente 750 mil primatas. A ministra Marina Silva associou os três anos de redução da taxa de desmatamento a um esforço conjunto de 13 ministérios, além de a um plano de prevenção e controle da devastação. "Tivemos cerca de 400 operações do Ibama, 20 grandes operações integradas da Polícia Federal com o Exército, a apreensão de cerca de 1 milhão de metros cúbicos de madeira. Tivemos também o desmantelamento de 1,5 mil empresas criminosas que atuavam na Amazônia", destaca.

Comemoração
O Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) ressalta que a redução no desmatamento ocorreu também em estados recordistas em ações contra a floresta, como o Pará e Mato Grosso. Segundo o boletim Transparência Florestal do Imazon, a área desmatada no Mato Grosso, fronteira agrícola com a Amazônia, caiu de 7,4 mil quilômetros quadrados em 2005 para 4,3 mil em 2006. No Pará, a queda foi mais tímida - de 5,7 mil quilômetros quadrados em 2005 para 5,5 mil em 2006.

Para o engenheiro florestal Marcelo Marquesini, da Campanha da Amazônia do Greenpeace, a queda no índice do desmatamento pode ter sido influenciada pela redução nos preços da carne bovina e da soja. "Até agora o governo não conseguiu provar o quanto cada setor influenciou", diz. Marquesini ressalta a necessidade do plano de ação do governo tirar da inércia os programas de agricultura sustentável, além de repensar a política de assentamento. No programa de rádio, a ministra destacou que o plano continua em implementação. "O Ministério do Meio Ambiente, juntamente com a Casa Civil, está agora fazendo a revisão do plano, para que possamos atacar os problemas que vão surgindo."

CB, 14/08/2007, Brasil, p. 15

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