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Lula anuncia R$ 11 bi para zona rural e mais viagens

OESP, Nacional, p. A6
26 de Fev de 2008

Lula anuncia R$ 11 bi para zona rural e mais viagens
Ao lançar projeto Territórios da Cidadania, presidente garante que vai cumprir meta do Luz para Todos, de alcançar mais 2 milhões de famílias

Lisandra Paraguassú e Tânia Monteiro

No ano em que municípios vão eleger novos prefeitos, o governo Lula quer marcar presença nas áreas rurais e cidades mais pobres do País. No lançamento do Programa Territórios da Cidadania, ontem, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou investimentos de R$ 11,3 bilhões para os municípios e garantiu que o governo finalmente vai cumprir a meta do Programa Luz para Todos - de alcançar mais 2 milhões de famílias. Avisou ainda que vai viajar muito pelo País, por dois motivos: porque só assim é possível conhecer os problemas do País e porque ficar tempo demais em Brasília "é uma desgraceira só."

O Territórios da Cidadania é o primeiro grande pacote de programas do governo para as zonas rurais. Só este ano, 958 municípios, em todos os Estados, com população que chega a 24 milhões de pessoas, receberão investimentos de 15 ministérios e 3 secretarias especiais para projetos que vão de construção de escolas e estradas ate crédito para a agroindústria.

O governo tem sido acusado de lentidão na reforma agrária e em entrevista publicada domingo pelo Estado o dirigente do Movimento dos Sem-Terra (MST) João Pedro Stedile disse que o Bolsa-Família levou os movimentos sociais à apatia. Agora, com o pacote, o governo pretende estimular justamente as economias de locais em que beneficiários da bolsa, assentados, quilombolas e indígenas são a maioria da população. "Queremos que a agroindústria chegue junto com a energia elétrica, com a estrada para escoar produção, com assistência técnica e sejam capazes de tirar essas comunidades da estagnação econômica", disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

MAIS LUZ

Pelo planejamento inicial do Luz para Todos, todas as zonas rurais já deveriam ter sido atendidas. Mas o governo admite que hoje ainda falta luz para quase 12 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, promete que isso será resolvido agora. "Este ano vamos cumprir a meta do Luz para Todos", afirmou Lula ontem. "Qual é o problema do Luz para Todos? O problema é que nós trabalhamos com o número do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é nossa referência. Mas na hora que o pessoal sai a campo, a gente percebe que tem muito mais gente sem luz do que está nas estatísticas do IBGE. Já descobrimos mais 1,7 milhão de pessoas que não têm luz. É mais um compromisso, até 2010, para a gente acabar com tudo isso."

Parte das ações do Territórios da Cidadania consiste justamente a chegada da energia elétrica aos municípios. Assim como água potável, saneamento e estradas. Mesmo São Paulo, que vai participar com dois territórios - o Vale da Ribeira e o Pontal do Paranapanema - precisa ainda de ligações de energia e saneamento. Apenas no Luz para Todos estão previstos investimentos de R$ 3,5 bilhões este ano. Os projetos devem começar em abril.

"Essa política que o Cassel anunciou aqui, eu posso dizer para vocês que é o segundo grande passo para a gente acabar com a pobreza", disse o presidente ontem. "Quando me apresentaram o Territórios eu me convenci de que tínhamos conseguido elaborar o mais extraordinário programa de atendimento de políticas de oportunidade combinadas com políticas sociais que já tínhamos preparado no Brasil."

SEM PRESSA

O presidente quer que o Territórios da Cidadania seja a solução de renda para muitas famílias que hoje dependem do Bolsa-Família. Mas ele se recusa a falar em uma "porta de saída" para o programa que é a menina-dos-olhos de seu governo. "Eu não tenho pressa de acabar com o Bolsa-Família. Vai acabar no dia que a sociedade brasileira, junto com todos nós, conseguir construir as políticas de distribuição de renda para que o povo não precise mais dessa política do governo", afirmou.

O Bolsa-Família foi justamente um dos critérios para escolha das áreas a serem atendidas. Quanto mais famílias, maior a chance de entrar na lista. Os 60 territórios concentram 21% das famílias do programa, assim como 40% dos assentados da reforma agrária e 24% dos agricultores familiares do País.

Questionado se não havia risco de o programa ser considerado eleitoreiro, já que era lançado em ano de disputas municipais, o ministro do Desenvolvimento Agrário chegou a se irritar. "Estamos falando de combate à pobreza. Misturar isso com eleições seria uma pequenez injusta, uma mesquinharia", afirmou Cassel.

OESP, 26/02/2008, Nacional, p. A6

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