OESP, Geral, p. A13
24 de Set de 2004
Lula afirma que não terá problemas em editar MP
Presidente não sabe se incluirá pesquisas com células-tronco no mesmo texto da soja transgênica
Leonencio Nossa e Tânia Monteiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em entrevista a radialistas no Palácio do Planalto, que não terá "problema" em editar uma medida provisória autorizando mais uma vez o plantio de soja transgênica. Num momento em que os microfones estavam desligados, ele teria admitido que há "profundas divergências na questão dos transgênicos" entre a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o da Agricultura, Roberto Rodrigues.
Ao citar a disputa, Lula checou se a conversa não estava mesmo indo ao ar.
Ele salientou que ainda não decidiu se incluirá na MP questões como pesquisa com células-tronco. "Se for importante e tiver acordo (no Senado), eu posso assinar", disse. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, informou ao Estado que discutirá hoje com o presidente a edição da medida provisória.
"Estamos dependendo da decisão do presidente", disse. "Vou levar essa questão a ele", acrescentou.
Ainda com os microfones desligados, Lula reclamou do atraso dos senadores na votação da Lei de Biossegurança. O presidente disse que não vai fugir da responsabilidade de assinar a MP, possivelmente no início da próxima semana, depois de se inteirar de todos os fatos, aproveitando os acordos feito entre os senadores na discussão do projeto de lei.
Ao abordar a questão das pesquisas com células-tronco, ele comentou que, como pai de cinco filhos tem de defender este tipo de estudo porque eles podem levar à cura de doenças, com resultados que beneficiariam a todos.
"Imagine se alguém, algum dia, tiver algum problema e puder ser salvo por isso", comentou, acrescentando que não entende as resistências apresentadas por setores religiosos, citando, especificamente a Igreja Católica.
Pressão - O presidente confidenciou ter pedido ao governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), que pressionasse os senadores para que votassem logo a Lei de Biossegurança, pela sua importância. "É preciso um pouco de pressão em cima do Senado, a boa pressão dos governadores, para que a gente aprove", disse. "Vou tratar isso com carinho, porque estamos chegando na época de plantio."
Lula disse que o governo sempre teve "boa vontade" para resolver a questão dos transgênicos. Contou que, no começo do ano passado, "mal tinha entrado na Presidência" e foi "pego" com a notícia de que havia no Rio Grande do Sul 9 milhões de toneladas de soja transgênica. "Não faltam aqueles que falam 'queima' e aqueles que falam 'vende tudo para o exterior'", disse. "Queimar é uma coisa absurda. Tudo o que eu não quero é a imagem de um presidente, num país que tem milhões de pessoas passando necessidade, queimando alimento." (Colaborou Renata Veríssimo)
OESP, 24/09/2004, Geral, p. A13
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